sábado, 9 de abril de 2011

Vermelho, cor dos sentimentos

Então as relações humanas são intrigantes? Tão intrigantes que se conseguem identificar num autocarro. Aqui se simplifica aquilo que os teóricos definiriam por complexo. Ela era a Kika do Dragon Ball e ele um "cavajeste" qualquer duma telenovela brasileira de há alguns aninhos. Sim, sim, bonita demais para ele. Mas assim que conseguiu deixar de a abraçar, já à porta do autocarro, ela disse-lhe adeus, e voltou a dizê-lo quando o autocarro deu a volta. Não era um autocarro até Trás-os-Montes, nem tão pouco até à Margem Sul... mas agora a Kika talvez se sentisse sozinha: apesar de tudo agora a sua atenção era apenas requisitada por aquele pequenino ser dentro do carrinho. Uma atenção que se traduzia em caretas e palavras com poucas sílabas. Mais à frente estava o ajuntamento típico, um homem, uma mulher. Ela encostava a cabeça e ele beijava-a. De repente salta um terceiro olhar daquele banco, afinal, já não eram dois mas três. O último agora na idade dos porquês. E no fundo, desenhava-se banda-desenhada com banda sonora de David Fonseca. O seu ar cosmopolitano de Londres de quem, apesar de ter estilo, está preso a uma rotina, suscitava agora o interesse dela que ia batendo o pézinho ao som da música que ele garantia. Na mesma fila de bancos, no lugar junto da janela. Estes eram para já os seus interesses em comum. E já se estavam a dar tão bem... Agora o pequeno ser sai do carrinho nos braços da mãe que o apresenta ao menino dos porquês. E riem-se muito. Mas também a multidão preencheu os bancos vazios e os meninos cá de trás já não se conseguem ver... Volta a esvaziar e voltam a estar platónicamente juntos. Uns separados sem querer, outros juntos e outros que se poderiam juntar. E depois?

quarta-feira, 23 de março de 2011

Ajustamento azul-escuro

Há escolhas estúpidas. Umas que se revelam à partida estúpidas, outras que o fazem no fim, e outras que por seu lado mostram a sua estupidez intermitentemente. O pior é que há decisões estúpidas que necessitamos tomar, ou porque o mundo assim o dita, ou porque somos estúpidos. Por vezes ambos os factos levam à decisão.
Tenho algo, a que chamamos livre-arbítrio, que me permite fazer escolhas. E se isso não se verificassse seria, concerteza mais infeliz. Mas as minhas escolhas nem sempre me trazem grande felicidade. Mais até porque está sempre alguém a lembrar-me do quão perfeita não sou. Não o nego, seria estúpido se o fizesse. Mas se perco dias da minha vida a levar uma esolha às costas como se fosse ao cólo, a perfeição podia dar um jeitinho. Nem sempre custa, mas há vezes que custa demais.
E ninguém é capaz de descer do pedestal iluminado e descalçar os sapatos de cristal, bem como os códigos de boas maneiras e os conceitos eruditos para voltar a descobrir quem conheceu antes de quase tudo, e de quase nada. E a tristeza ganha.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Verde- Tropa

Aquilo até estava a tomar um rumo normal, até que tive consciência das palavras. Das palavras que proferia enquanto erguia a arma. Lembro-me lá do nome dela. Nem tão pouco me preocupo em fazê-lo. Pensemos que era uma basuca XV 30 000 com cano partido.
Ainda atónita, perguntei à minha parceira: "Será que ele já matou alguém?!". Era a brincar. Não era a brincar. Não sei. Mas também, saber se o portador de tal instrumento já tirou a vida a alguém não é importante.
A importância reside no "Apontado para a nuca faz logo um buraquinho que é uma maravilha". Não no tom irónico das palavras, mas na essência das mesmas.
Nós não estamos em guerra, mas se estivessemos aquelas armas serviriam para tirar a vida a alguém, alguém que, se calhar, está obrigado a permanecer naquele lugar, àquela hora. Ou alguém que simplesmente transporta as armas com os mesmos ideais de quem lhe tira a vida.
A arma não é um brinquedo, nem um troféu. É uma sentença.
E depois ainda me perguntam se oq ue não me prende lá são os baixos salários...

Obrigatoriedade de Dar, Receber e Retribuir em azul

Conceito de comunidade imaginada: só é uma comunidade se, do encontro ocasional surgirem relações de dependência e solidariedade. Mas é imaginada. E, por isso, é livre e anárquica. Admitamos que seria estimulante: a junção da ingenuidade com a sabedoria. Que relação fatídica... mas maravilhosamente condicente. Era um risco que talvez corresse, apesar de estar à priori condenado pelo meu superego. A troca seria mais que equilibrada.

A Carta Amarela do Tempo

Eu sei que tenho deixado isto assim meio abandonado, mas tenho escrito, acreditem. Tenho escrito outras coisas, noutros sítios. O problema é transcrevê-las para aqui. Mas hoje dedicarei-me a fazê-lo!

Costa do Marfim
Não tenhas medo. Está tudo escuro, eu percebo. Mas não tenhas.
O pai e a mãe já vêm. Eles sairam, mas voltam. Não sias à rua, as pessoas estão confusas e não andam a fazer coisas boas. Não fiques em casa. Pelo menos, não sem escolheres um sítio como esconderijo. é que essas mesmas pessoas podem entrar pela tua porta dentro. Mas não te assustes. Por favor. Elas procuram algo e, não encontrando, voltam para a rua.
Procuram coisas de valor, não posuis. Procuram armas, infelizmente sabes o que são, mas não as tens. Procuram álcool, também não tens. Então procuram o teu pai, ou atua mãe. Para coisas distintas. Mas sairam. Eles voltam, já te disse.Mas depois de tudo isto.
Depois do sangue ser limpo das ruas pela chuva, depois do cheiro a pólvora e a morte se diluir com o vento, depois dos gritos das balas se calarem com o tempo.
Eles voltam.
Tu, inocente, terás de novo uma família. Terás a fome saciada e a debilidade curada. Enquanto isso, espera, espera como já esperaste. Espera que o mundo veja aquilo por que passas agora e o jogo em que tranformaram a tua vida.
Não queres um governo.
Queres paz.
Não tenhas medo.
Hey! Ainda te manténs acordado?
(o texto já tem uns tempos)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Vermelha Rede Natalícia


E enquanto esburacava minuciosamente a fatia de bolo-rei com a faquinha, pensava na essência do Natal. Não que eu me permita assumir que, exporádicamente, delineio grandes teorias sobre assuntos mais, ou menos, interessantes, mas a minha nobre capacidade de utilização de eufemismos faz-me escrever conclusões que tiro nestes raciocínios a que a minha pequena intelectualidade se porpõe através da minha humilde experiência.
Bom, o que é certo é que apareceu cá em casa o potezinho do doce de abóbora que algum vizinho ofereceu, não é um vizinho qualquer, isso sei-o bem, ele é que não sabe que eu não gosto de doce de abóbora, mas a sua senhora fê-lo por esta altura, diria até propositadamente, e ele distribuiu-o pelas pessoas que lhe são mais queridas com o intuito de o colocarem na mesa de Natal. E o meu pai, cortou quase todas as couves que haviam crescido na horta e entregou-as. A este, àquele, ao outro, a esse mesmo... tudo gente que ele queria ver feliz por poder ter na Consoada couvinhas da horta, que não sabem ao mesmo que aquelas dos supermercados. E desta vez temos umas 7 caixinhas de bombons, arriscaria a dizer, na nossa mesa Natalícia, quer dizer 7 não, porque tanto bombon ocuparia o espaço do bolo-rei e das rabanadas, portanto encontram-se em espera numa outra mesa qualquer. Algumas foram oferecidas gentilmente pelos clientes dos meus pais (clientes não, consumidores é uma palavra mais bonita, uma vez que estou em PM, mas assim terá de ser "pelos consumidores dos serviços que os meus pais proporcionam", porque os consumidores não consomem os meus pais, ou pelo menos, não na íntegra, só a paciência) outras pelos distribuidores. Eu sei que são estrtágias de fidelização e acções de relações públicas que passam a ser exercidas pela pessoa do vendedor, mas a verdade é que os senhores se lembram de trazer chocolatinhos e nós agradecemos.
Mas ninguém dá como prenda, ninguém dá com o propósito de se colocarem os artigos bem juntinho da árvore, do lado direito do presépio, ninguém dá sequer por obrigação ou ressentimento. As pessoas dão porque conhecem a utilidade dos produtos nesta época e tal é a azáfama da época que nem sequer descobrem o mistério escondido nesta palavra: Dar.
E o Natal é isso. Pequenas e grandes linhas de solidariedade e agradecimento nas quais as pessoas caminham, tropeçam e se prendem, tentando atingir a felicidade, por mais que não seja durante dois dias.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Companheirismo Azul


No outro dia cheguei a uma conclusão. Os amigos de infância, aqueles que podemos dizer que "conhecemos desde que nascemos", esses que nos mordiam e com os quais brincávamos às escondidas e, que nos mordiam enquanto jogávamos às escondidas têm sempre uma cadeirinha nesta coisa a que podemos chamar de plateia para a qual espalhamos sentimentos. Esses sentimentos de "gostar de ti".
Então a tese é: podemos estar meses separados, mas quando nos juntamos é como se tudo voltasse a ser igual. Não a idade, não o sítio, não o tema da conversa (bem, este tópico é discutível), mas o à vontade, o entendimento ou não. É assim um portal do tempo para aqueles dias em que viamos o Batatoon e lutávamos pelo comando. Aqueles dias em que quase deitávamos os aquários ao chão. Aqueles dias em que esfolávamos os joelhos na alcatifa, gozando uns com os outros.
Hoje, depois de todas as imbirrações e aversões, sei que tenho um ombro onde deitar a cabeça nas viagens longas.

sábado, 27 de novembro de 2010

Visitas Roxas

Não sei como foi, nem porque foi. Só sei que quando me vi, já estava aninhada em ti. Epá e aquele abraço soube-me por mil. Precisava. Precisava daquilo e de muito mais. Pode ser o pré, o pós ou o durante mas a verdade é que as coisas não andam a correr muito bem. Irrito-me, falo mal, fico mal. E nada muda. Vá, sejamos sinceros, muda. Isso dói-me. Dói-me ainda mais, porque já me doeu mais, outrora. Mas ver-te e conseguir com que me roubasses um abraço é daquelas coisas que me fazem pensar. Pensar sobre tudo o que foi, sobre tudo o que é. E é muito pouco. Continuo sempre a encontrar-te e isso é bom. É óptimo. É reconfortante. Pena foi ter-me posto propositadamente entre duas feras, como sempre, mas pronto um dia enfrento-as.
Agora, só quero lembrar-me da tua aconchegante camisola. Se...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Etiqueta cinzenta "Made in China"


Caixas, pacotes, sacos e paletes. Uns quantos braços descarregam, deste lado do mundo, uma grande variedadede coisas castanhas e cinzentas. Há quem vá. Há quem volte. Há quem tire dum lado. Há quem ponha noutro.
Tudo maquinalmente organizado com um fim. Qual? Não sei bem. Provavelmente a venda de coisas. De muitas coisas e de muitos tipos.
Sinceramente, não gosto muito da palavra. Coisas...
Máquinas essas de tez sul-asiática que tentam, há já vários anos, a sua sorte num país que, não se dizendo racista, deveria comprar mais dicionários.
A impessoalidade daquelas caixas, dos pacotes, dos sacos e das paletes transporta a insignificância e o anonimato de muitas vidas. Da do motorista da carrinha e dos muitos filhos dos senhores das barraquinhas. Dos bagageiros nos vários países e dos longínquos operários "made in China".
De facto, são apenas isso, coisas feitas para fazer coisas. E bem sabemos nós que muitas dessas coisas são muito pequenas. As que fazem coisas. E de alguma coisa serve?
A industrialização legítima com base em ilegítima exploração favorece um legítimo desenvolvimento económico.
Economia que cresce com o trabalho maquinalmente organizado de deslocar caixas, pacotes, sacos e paletes. Economia com grandes implicações ( e como esta palavra cheira a justificação) que não permite a acção dos senhores perfeitos da comunidade internacional que todos acham que existem... C-O-M-U-N-I-D-A-D-E I-N-T-E-R-N-A-C-I-O-N-A-L.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Se a cor depende de cada um, a minha é verde-alface

-Será que algum dia foste feliz?
-A felicidade é muito subjectiva para to poder dizer; mesmo quando pensas que quando comecei a ser feliz, a infelicidade me impediu de ser, digo-te que tudo é uma questão de dar mais importância a essa felicidade para que não seja abafada. Se vires a felicidade em tudo, serás feliz.

São de terra, são castanhas


É absurdamente estúpido escrever sobre aquelas horrorosas escadas. Mas a pedido de várias famílias, terei de o fazer.
São exactamente isso, horrorosas. Intermináveis, infindáveis, largas para pôr só um pé, estreitas para pôr dois. Íngremes, feias, torturantes. Ninguém nunca falou, em tempo algum, bem das mesmas. E ninguém nunca falará. Uma escola tão bonita e moderna, à qual se tem de aceder por esta tentativa de escadas, que ornamenta uma colina, onde se encontra de tudo, menos cimento. Não que eu ache o cimento uma coisa bonita, mas passar aqueles dolorosos 10 minutos da minha vida (5 a subir e 5 a descer) fugindo aos ataques de plantas, canas, e toda uma panóplia de coisas verdes, que por não serem cortadas, são gigantes e, por outro lado, de eventuais espécies de animais das quais nunca avistei nenhum exemplar, mas que cuja existência já me asseguraram, é desagradável e desesperante.
E muitos são os arquitectos que já se debruçaram sobre as possíveis alternativas àquelas escadas (sem ser ir dar a volta ao mundo, o que pode acontecer, num dia qm que chova muito, ou que precisemos de fazer tempo para ir para as aulas - o que não acontece), nos quais eu me incluo. Porque não uma rampa acimentada, umas escadas forradas a alcatrão, ou simplesmente o embelezamento da coisa, que ao menos não nos faria desistir das actuais escadas antes mesmo de as começarmos a subir?
A boa notícia é que chegarei ao Verão com os glúteos "memo bons"!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A falta de controlo poe-me amarela

É que não sei o que vai acontecer. E isso dá-me dores de barriga e tira-me a fome. Não gosto de meio-termos. É um stand by que me perturba e atrofia o corpo e a mente. Será que sim? Será que não? E enquanto isto não acabar não passa. Isto? este querer/não querer, este vai/não vai.
E depois mordo-me de insegurança quando penso em toda uma realidade diferente com que me deparo sem ter consciência. E fico triste. Ou então passa por mim qualquer coisa que me dá uma força vinda sabe-se lá de onde e me faz sorrir.
Mas cá p'ra mim nada disto significa o que costuma significar (ou se calhar sim). Mas não tenho a certeza de nada. E isso irrita-me tanto que me baralha cada sentimento e me enfraquece constantemente.

domingo, 3 de outubro de 2010

Não se preocupem em compreender este texto cor-de-rosa

Costumava ser hábito olhar para a rua todos os dias e acenar. Sentia-me bem, porque me correspondiam. Naquele agitar de mãos e mexer de lábios percepcionando-se o “olá”, estava implícito muito mais. Agora quando olho não é igual. Por isso é que gosto de hábitos.

Interessa lá se eram pretos. A boa notícia é que falavam


É uma vida agitada, mas isso toda a gente sabe e, sendo verdade ou não, todo o mundo o diz. Andando aima e a baixo como muitos transeuntes, começava a ficar desanimada, uma vez que quase todos os meus pensamentos se focavam naquilo que queria e não encontrava. Nada de muito importante. Mas desejado. Lá tive a ideia de pedir emprestado, depois de todo aquele esforço físico e mental. Mandei mensagem, telefonei e lá encontrei alguém que me satisfez o pedido. No entanto, ainda nesta azáfama, informaram-me que o meu pedido não era possível de satisfazer nas medidas em que queria. E fui então eu, tentar remediar-me com o que haviam encontrado. Mas estava irritada e alegre ainda assim, porque ao sentir-me tão ridícula, chegava a achar piada de mim mesma. Foi aí que os vi. E fiquei encantada. Não era daquilo que tinha andado em busca a tarde toda, mas era muito melhor. Eram cintilantes, esses pequeninos olhos que me sorriram quando por eles passei. E senti-me tão feliz que tudo aquilo em que estava embrulhada me passou ao lado. Gostei tanto de ver o que vi, que fiquei surpresa por me ter mostrado a racionalidade. Parei, olhei e e o que era importante deixou de ser esquecido.

domingo, 26 de setembro de 2010

Os meus tubarões verdocas

Sabes, quando era pequena costumava atravessar o Tejo. Lembro-me de pouca coisa daquela época, mas sei de algo que nunca esqueci. Tinha medo dos tubarões, sim, eu tinha de passar por uma pontesinha para entrar no barco. E se eu caísse? Se eu caísse os tubarões esperariam por mim lá em baixo e não seriam meiguinhos.
Mais tarde descobri que só há golfinhos em Tróia e baleias nos Açores. De tubarões, nunca ninguém aqui ouviu falar. Mas também, quando soube da sua inexistência, já naõ navegava mais naqueles barcos.
Sabes, depois disso, muito depois, ganhei outros medos. Assusta-me a ideia do novo habitat, eu gosto daquilo a serio, mas não consigo viver sem pessoas, sem as minhas pessoas. Também não consigo pensar que há a possibilidade de me abandonares, sim, é para ti, acho que não o farás, mas já passou muito tempo e esta nova etapa será diferente da outra. Claro, tenho medo de ti, sim de ti, tu que te estás a esconder, há coisas que não devem acontecer e, acho que essas coisas perturbam a minha expressividade aqui, por exemplo. Mais uma, não ter inspiraçao nem imaginação nem originalidade assusta-me, eu preciso de escrever. E sim, tenho medo de não conseguir, agora que entraste na minha vida e porvavelmente não lerás isto. Tenho medo de não querer, de não avançar. Ainda não me aliciaste o suficiente. Nem sequer sabes disto.
Mas um dia, sei que descobrirei que os tubarões também não navegam nestes mares.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Capas pretas a sorrirem escondidas

A primeira impressão da vida académica foi: "Eles não são assim tão maus", pronto e o inevitável: "Os trajes das miudas são bem giros"...
Muito sinceramente estou a divertir-me, o facto de entrar naquele recinto faz-me crer que entrei numa outra fase, numa outra aprendizagem e isso é claramente evidente quando contacto com as pessoas, as pessoas que já fizeram do recinto a sua casa, os doutores, os veteranos, os trajados. O ambiente que se cria, apesar de todo o constrangimento e vergonha iniciais, é de partilha e entreajuda. Eles riem-se de nós, nós rimo-nos uns dos outros embora insistam que "caloiro não ri", mas se não fosse como é, de que maneira tanta gente nova se iria conhecer? De que maneira os novatos iriam conhecer o espaço? De que maneira os caloiros conheceriam outros colegas mais experientes?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Como é um luar azul?

Noites calmas. Não é um chá, de facto, não é dum chá que preciso. Noites calmas são simplesmente aquelas que fazem alguma diferença. Não que as minhas não o sejam, porque não são, de todo, agitadas. Mas uma noite, para ser calma, apenas tem que me fazer sentir bem. Eu gosto de olhar para o céu e vê-lo escuro, preciso de ouvir silêncio, ainda que o silêncio da cidade, como bem conhecemos, quero incessantemente que a noite seja minha. E é tantas vezes...
Verdadeiramente isolada nas ruas da minha cidade, à noite, vejo tudo muito mais bonito.
Hoje parece que a noite vai estar nublada... ainda assim, será uma noite calma que cheira a início de aulas e à rotina de inverno de que afinal até gostamos.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Drama intemporalmente branco


E se tiver morrido?

Morri.

Afinal não fui eu, foi o outro.

Mas como é que se morre?

Eu vi-te bem, falavas e respiravas. Agora já não. Mas não é só o acto de respirar que dá vida a um ser. Não pode ser. Eu não vivo com máquinas. As pessoas têm algo, algo que faz com que a sua vida seja desejada, desejada pelo mínimo de pessoas que até seja. É a essência, a alma, a personalidade... é simplesmente o que transforma a nossa existência em vida.

Mas se isso não é máquina, porque desapareces da Terra? Acredito que partes para outro sítio, um sítio melhor... mas enquanto isso, a morte assombra, assombra como palavra, como entidade, como realidade. É a perda. E a perda dói. Tenho medo que doa mais ainda durante o resto da minha vida. E tenho a certeza que os meus receios se confirmarão...

E se tivesse sido eu, queria ter um funeral cheio de gente. Acho que é bom, acho que é porque as pessoas sentiam a minha falta. Mas podia não ter ninguém.

Morte cruel, a morte só. Tristeza grande, a da alma que parte sem se sentir amada. Visão mais angustiante, a de ver um felório vazio.

A morte prova a diferença que no mundo se sente depois da nossa vivência.

A morte é muito pior se a diferença não for alguma.

Todo o humano é especial à sua maneira, não quero sentir-me só. Acredito que não te sentirás só. Não quero que alguém se sinta só. Ainda que essa solidão seja vista de olhos fechados.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O pote é tão transparente que até parece vazio de ideias

"Então e agora? Vais para que curso?"
...

...

...

"Pois ainda não sei, ando a ver..."
Ando a ver, ando a ver, mas só posso ver mais umas semanas (e muito poucas, por sinal). Neste meu acto desesperado, em que estou a evitar constantemente usar a minha capacidade chamada "razão" para fazer uma escolha, dependente do meu "livre-arbítrio", venho falar-vos de um dos meus problemas. Nunca fui boa em escolhas, não é nenhum segredo. Bem, não é nas escolhas em sim, mas no acti de escolher. Sou a indecisão andante. Não sou psicóloga, muito menos de mim mesma, mas acho que esta minha inquietação em fazer opções se prende com a insegurança de optar pelos caminhos piores em vez de os melhores.
É claro que vejo os prós, os contras e os neutros e ainda os outro neutros. Mas nada.
Concretamente, não sei se sigo "Publicidade e Marketing" ou "História". Sim, não tem nada a ver. Preciso da vossa ajuda malta, estou num pote onde não alcanço a tampa, mesmo.
Em P/M gosto muito da componente prática: os ateliers, o estudo do comportamento do consumidor, os estudos de caso... Para além disso, actualmente o emprego parece existir em maior quantidade, no entanto devido à grande popularidade de que está a ser alvo, esta realidade pode muito provavelmente ser alterada. Outro factor que me agrada é a média ser de aproximadamente 15/16 e a minha média digamos que é elevada e não gostaria de a "desperdiçar" (compreendo a vossa indignação, a serio, mas não me julguem pelo egoísmo ok?).

H acho que é assim o campo de saber que mais admiro, causa-me uma imensa curiosidade aprender História. Sinto-me uma pessoa muito mais culta e interessante quando me entrego a esta disciplina, no entanto não sei se o plano de estudos não será excessivamente teórico para mim. Quando me vejo perante muitas opções semelhantes, caio na monotomia e perco o interesse... Mas o que tenho visto é que, mesmo durante o curso me posso dedicar a pólos de investigação variados que até me poderão integrar no mercado de trabalho. O emprego como se sabe é muito escasso nesta área, ainda para mais, eu gostava de seguir ensino secundário. Mas se me destacar pela possitiva pode ser mais fácil encontrar trabalho e quem sabe se as projeções não mudarão, uma vez que muito pouca gente está a concorrer a esta área? Frustra-me um bocadinho é a média ser tão baixa (vá atirem lá as cascas de banana!).

É isto. Não me decido. E sei que provavelmente entro na primeira opção em que me candidate, logo não há o critério "entrar na segunda opção".

Sugestões?

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A Escola Era Azul, Também o Adeus o Será


E separaram-se essas duas almas. Duas não porque na verdade são muitas mais... Seguiram em frente até que um desses pequenos seres subiu e o outro desceu, pela rua que, muitas vezes, juntos ou sozinhos, subiram e desceram tantas vezes...
De facto, nunca mais nenhum deles passará por esta rua sabendo que aquela escola lhe pertencia. Pertencia sim, porque a escola é de todos!
De facto, nunca mais nenhum deles olhará para dentro desta com um olhar implicante e contestatário, sempre justificado (e outras vezes nem tanto).
Porque nunca mais se sentarão lado a lado, ou de costas, ou de frente nas carteiras que habitaram tantas vezes e que são testemunhas de muitas conversas. A maioria delas cusquice, ou até mesmo mal-dizer, mas aquele mal-dizer que sabia bem dizer quando nada mais se conseguia ouvir dizer ali, dentro daquelas quatro paredes, dentro daqueles pavilhões, dentro daquele portão.
Muitas coisas eram más, outras tantas eram boas. Mas nunca as aulas de secundário se repetirão. E claro que todas as almas desse liceu, principalmente as mais próximas, se continuarão a encontrar (não seria esta a verdade mais desconfiada de sempre...)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Saia Verde

Aquela saia verde usei, ontem, anteontem e amanhã usarei. Não, não é aquela que era da avó e que está enterrada no baú guardada religiosamente com os cheirinhos que cheiram à infância e ao antigo e às férias na terra. É a outra, a que me deste, a que gostavas muito e por tanto gostares também eu dela gosto. Mas esse teu tempo já passou e agora cabe-me a mim, erguê-la ao vento, sim porque esvoaça e não é pouco, e tapar com ela as minhas perninhas brancas e pálidas que a fazem subir às vezes. Useia-a de manhã, era camponesa antiga. Usei-a de tarde, era hippie nos anos 60. Usei-me a mim e era tudo o que queria ou queria querer ser, mas nem sempre eu. Posso usá-la em muitos outros locais, em muitos outros tempos. Podia tê-la usado em muitos outros locais, em muitos outros tempos. Mas foi ali. Mas foi naquele dia. E nesse dia aprendi que posso ser tudo, mas não deixo de ser eu.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dourada Geração Errante e Reinante


E a luta que guia a vida?

E o sonho a conquistar?

Oh gente mesquinha e oca

e quieta e preguiçosa,

inculta e presunçosa,

nunca conhecerão o verdadeiro sentido

de ser, de vencer!

É tudo dado e abdicado

em favor dos que nada fazem

para serem realmente felizes.

O que não está, estivesse.

O que não é, fosse.

E esses ideais porque muitos sofreram?

Esses foram ganhos, mas não lembrados.

E outros não se levantarão,

nem para ti, nem para mim,

porque eles querem, podem e mandam.




E eu também.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Hoje Apeteceu-me Incendiar as Ideias com Madeira Clara


Os três argumentos contra a pena de morte:

1 - se matamos alguém por este ter morto alguém, então também nós deveríamos ser mortos e, consequentemente, o mesmo teria de ser feito a quem nos matou e assim sucessivamente (o que convinhamos, não era muito viável, haveriam órfãos, e baixas taxas de população activa e crise no sistema da segurança social, etc)

2 - o facto de a vida ser um direito ilanienável impede que alguém, considerado entidade justa e suprema a possa findar, assim não nos caberá, jamais, a nós, humanos, cidadãos no mesmo pé de igualdade, julgar sobre a vida de outrém

3 - enquanto que numa pena em prisão, caso mais tarde se prove a inocência de um condenado, este pode ser liberto, o mesmo não sucede se o mesmo for morto (a não ser que consiga ressuscitar, o que não sendo eu de intrigas, me parece pouco provável)


Assim sendo, não se pode punir um crime com outro crime e mais, por mais repressivos que possam ser os sistemas judiciais (que tendem muitas vezes a falhar), não impedem que os crimes continuem a ser praticados, temos o caso dos EUA. A redução da criminalidade é reduzida através da educação e da transmissão de valores que incutam a consciência do outro como um ser igual a nós.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Iluminação Champanhe do Vazio


-No fundo sentimos o mesmo.

-Bem sei o que te atormenta, o vazio que te engole, o abraço porque esperas. E melhor que ninguém, sei que o consolo é tarefa árdua.

- Essa angústia que te consome e não te permite ser feliz, os pensamentos em que te afogas e não te deixam viver. Nada, nada me sabe melhor do que esquecer e seguir. Pegar no bom e amar. E sorrir.

-Dor de alma é o que me consome por saber que não consegues superar, que te é impossível superar-te.

-Não ter amparo, ou não o sentir é estar num túnel sem fundo. Mas também eu anseio a luz. Também tu a poderias adiantar, a poderias desejar com muita, muita força.

- Eu, não sei como viver.

- Quem melhor que tu para te ensinares? Sê dono do teu próprio destino. Entre mares e desertos, tempestades e calmarias, és tu quem pode encontrar o caminho mais ameno. Nesse caminho não faltarão, duendes, ou fadas, ou até mesmo cães falantes ou golfinhos voadores.

sábado, 10 de abril de 2010

Se nesta Rua Apenas Existisse o Azul-escuro ou Preto dos Impressos, Estavamos Mal.


Se calhar exigem, se calhar exigem que deixe de fazer escorregar as pernas quando o chão está gurduroso, ou deixe de estupidamente dançar quando mais ninguém vê, ou de fazer aqueles aldrabados passos de ballet que sempre quis aprender. Se calhar exigem que deixe de fingir que toco piano com os dedos quando estou a trautear uma cançao, ou que a deixe de cantar por mais desafinada que esteja. Se calhar exigem que deixar de fazer vozes irritantes e de me rir com os lábios todos rasgados. Ao menos que não precise de deixar de pular, sem ser a pés juntos. Saltitar é isso mesmo, em vez de andar. Será que tenho de deixar de rir? E de fazer textos como criança? Talvez não possa continuar a tapar a boca e a cabeça com o lenço, sonhando estar nas Arábias ou atá-lo atrás das costas criando uma nova peça de roupa, ou ainda prendê-lo à cadeira, vendo-me como dama indefesa atacada por bandidos.
Tudo bem, que o façam. Que me acusem de o ser, ou de não ser. É me inconcebível fazer cara sizuda para os que me olham só para parecer mais velha. Ou para parecer que tenho a idade que tenho. Sou incapaz de sorrir apenas com o alargamento dos lábios cerrados só para parecer mais velha. Ou para parecer que tenho a idade que tenho. Não me é sequer permitido deixar de fazer corridas ou concursos de insultos (com a mana) só para parecer mais velha. Ou para parecer que tenho a idade que tenho
. Não guardo, não espero. Há momentos em que tenho de me portar bem, outros nem tanto. Enquanto isso e ainda que tenha sempre a mesma idade, não quero deixar de fazer o que me apetece. Mas claro que não ando a fazer estas coisas na escola, não é. A questão é porquê? Será que sou assim tão anormal ou ninguém tem esta necessidade de avariar? Gentinha pobre de espírito que se contrai e endireita, se ergue e se fixa, se endurece e se esfria deixando apenas parecer. Parecer o que é.

Ah! E sei de quem goste de mim assim, tá?

Mesmo que Bastasse, a Transparência Não é o Meu Forte


Devia, devia não pensar
ou pensar só um bocadinho.
Devia escrever com atenção,
mas sem apagar depois.
Devia voltar a escrever aquilo
que realmente quero ou preciso.
Devia falar e dizer o que penso,
não que o que penso não o possa dizer,
não que o que penso seja mau de dizer,
mas apenas porque não o consigo fazer.
Devia pensar mais em mim
e fazer o que não gostas,
ser persistente até mais não
com a ideia que odeias
e fazer cara feia quando não me ouves.
Devia aprender a dizer não.
Não, não.
Não quero, odeio, é feio.
Pronto disse.
E agora?
Não quero magoar mas não me quero magoar.
Se eu ouço, que me ouçam!

segunda-feira, 29 de março de 2010

O Céu Azul é Omnipresente


Apercebi-me de que o Sol é igual onde quer que estejamos. Bem, não é bem o Sol, é o ar. Mas também não é o ar, é o meu espaço, ou o espaço onde estou. Vá, onde quer que estejamos talvez não seja verdade, mas o facto é que consegui sentir a mesma brisa e o mesmo calor e o mesmo silêncio de Paris. O mesmo silêncio? Sim o dos pensamentos. E por momentos senti: as pombas, os pardais, as árvores e o Sol. E depois pensei, é Primavera, e assim associei a lógica das estações. Quem sabe se a sua existência não tem como fundamento próprio juntar bocadinhos de elementos comuns de ano a ano. É possível.
Ainda assim, e tal como as estações, que embora mudando de data, aparecem sempre em todo o mundo, também eu, e também tu, seremos sempre os mesmos. Com menos ou mais calor, mais ou menos chuva, menos ou mais vento. E de que quem não nos livramos é dos dramas pessoais e os problemas chatos, que vão connosco para aqui, para lá e para acolá. Em contrapartida, também o nosso Q de coisas boas não nos deixa no aeroporto.

sábado, 20 de março de 2010

Novos Valores Amarelos se Levantam

Tenho medo disto! Medo deste mundo.
Descobri na TV um programa belíssimo, em que as mães inscrevem incessantemente as suas crianças em concursos de beleza. Para que destes saiam vencedoras, não poderiam, de todo, faltar horas de maquilhagem e cabeleireiro, fatos de plumas e birras q.b. Não serão estas impacientes e inoportunas birras, que constituem os dramas íntimos destas mães, de algum modo (ou de todos) justificáveis?
Adivinhem lá onde é que estes pequenos espectáculos, de pequenas exibições de pequenas aquisições a render (ah não, chamam-se filhos!) se verificam... huum... vá lá, é fácil...
(sim, claro que é aí, nos EUA).
As crianças choravam não por fome, não por sono, não por febre... porque não queriam brincos, nem laca, nem rímel. Muitas têm 4 anos. Acho criminoso, sujeitar tão pequenos seres a esta pressão, a estes químicos, a estas roupas. Para quê? Para os pais comprarem carros com o dinheiro que os filhos recebem por mostrar a sua beleza tão infantil, tão ingénua e tão... artifícial.
Que valores, que valores são estes? Mães que põem a competir irmãs, tendo evidentes preferências. Mães que afirmam que o importante é o jurí gostar. Mães que exigem sorrisos aos filhos ainda que forçados e sem conteúdo.
Que resultados serão estes? Filhos frustrados por serem submetidos àquela palhaçada. Filhos são auto-estima e com medo da rejeição por não ganharem os concursos. Filhos que não gostam dos irmãos. Filhos que pensam que a beleza é o motor da sociedade.
E não será isto verdade? Não será a beleza, a superficialidade, a caixa, aquilo que interessa realmente, agora?
Tenho medo disto! Tenho medo deste mundo.
(para já não falar nos milhares que são dados para os garotos se pavonearem em frente a uma plateia enquanto que outros milhares morrem de fome e de sede)

terça-feira, 2 de março de 2010

Saberei as regras desse jogo azul sedutor?

Chegas-te de mansinho, retribuo. Não há espaço para palvras, mantenho silêncio. Despertas em mim essa curiosidade, a sede, o perfume. Torna-se hábito. Mas eu gosto, e tu também. Será? A dúvida torna-se pesada, perdi-me nesse teu pensamento desértico... e como está frio! Continuo, não há-de ser nada. A circunstância separa-nos, mas presenteia-la com a distância. Que bom era se de tão distante estivesses perto de mim, mas não será certo, certamente. Não interessa. Regressas. Agora és tu, não eu. Sentes-te como um arqueólogo no Egipto, desvendas esse mistério. Na serena quietude do meu ser, nada me faz reagir. Apenas deixo o destino correr. Um eclipse, será esta a vontade do destino? É-o indubitavelmente. Caio nesse poço. Não! É um precipício, mas lá em baixo... lá em baixo há vida! É um dia de Sol, sem uma única núvem e passeio sob o mesmo. Só? Não sei se continuas comigo... Desculpa, afastei-me do ponto de partida. Queria ter correspondido, mas preferi guardar, sem torbulências, esse ar que ouvi, trazido pela doce brisa de noite de Verão, o Inverno estava quente.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Bolha Cinzenta saudosa de Rosas Vermelhas

Não quero saber o que vão pensar da minha escrita mais comum, mas é assim que tem de ser. Quero exprimir o que sinto e não usar os meus sentimentos para construir maravilhosas composições das quais me vá vangloriar, porque não sou eu que tenho de evidenciar. É simples: não sei o que sinto, tou estranha. Importante para mim, claro, muito. Ensinaste-me a escrever o meu nome, a dar nome aos peixes, a limpar os ouvidos depois do banho, ensinaste-me a ser quem sou e agora… eu acho que não consigo acreditar, foi tudo muito rápido. Não, não acredito. Mas quer dizer, acredito porque não me estão a mentir. Não, não quero ver para querer. Não quero ver, tenho medo. Tenho medo de te perder. E não choro muito, não sei se por estar sempre acompanhada, se por ainda não acreditar de todo, ou porque pura e simplesmente me esqueço e sigo com a minha vida. Acho que estou a evitar o sofrimento, ya, lá estou eu a tentar uma das teorias froidianas para o que sinto. Mas se calhar é verdade. Se calhar esqueço-me de propósito, se calhar tiro importância de propósito, se calhar relativizo a questão e coloco-a nos outros de propósito. Mas não quero, de todo, deixar isto em branco. Sinto-me estranha. É assim uma coisa esquisita, que está no coração. Parece uma bolha. Desculpa, desculpa por tudo a sério. Fui muito mal criada, muito mal-educada. Tinha sempre resposta e nunca obedecia e fazia muitas birras. Acho que sempre fui um bocado egoísta até agora. A Ti te agradeço tudo. Desde os laços que dou aos ténis até à perfeição nos tpc. Aquele Amor que sempre me deste. Aquela tentativa de me cultivar valores importantes que fazem de mim o que sou hoje. Não tão perfeita como deveria, mas um protótipo de. A Ti te garanto que não passarás como se nada fosse, a Tua obra é magnífica e isso vê-se e isso sente-se. A prova de que os bons vivem felizes. Pelo menos assim acho, não tens noção da quantidade de pessoas que te adorava. Adoravas tanta gente. A ti sempre, Mãe, minha Linda Mãe, nunca te esquecerei (GOSTO MUITO DE TI, OUVISTE).

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Amor tão Branco e tão Ilimitado


"Da noite que me cobre,
Negra como um poço de alto abaixo,
Agradeço quaisquer Deuses que existam
Pela minha alma inconquistável.

Na garra cruel da circunstância
Eu não recuei nem gritei.
Sob os golpes do acaso
Minha cabeça está sangrenta, mas erecta.

Além deste lugar de fúria e lágrimas
Só o eminente horror matizado,
E contudo a ameaça dos anos
Encontra e encontrar-me-á, sem temor.

Não importa a estreiteza do portão,
Quão cheio de castigos o pergaminho,
Sou o dono do meu destino:
Sou o capitão da minha alma."

William Ernest Henley


E se ele "passou quase trinta anos numa cela, e conseguiu perdoar todos os que lá o meteram", como pode ser tão grandiosa a nossa pequenez que eleva a mais alta mesquinhice à condição de obstáculo ao perdão?

Descobri a plena bondade neste Homem, Mandela. Agora já posso juntar mais este pedacinho em mim, junto a Luther King e Madre Teresa. Pudesse eu ser tão valiosa como eles, que dentro da minha cela de largura de braços em que me encontro conseguisse ver o mundo e amá-lo, tanto como me amo a mim, tanto como às vezes me custa a acreditar que sou capitã da minha alma, tanto como me odeio sempre que me importo com a estreiteza do portão.


P.S. Vejam o "Invictus", não é dinheiro deitado fora, garanto*

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Fragmentação tropicalmente cromada


"Saudosa de lembranças remotas,

procuro no tempo a felicidade

que espero encontrar.

Engenhosa e intelectualmente falando,

requinto-me entre palavras que sei

de amor, de amor por mim

e pelos outros.

Com um alegre regresso ao que

dantes fui, consigo endireitar-me.

E forte consigo sempre ser,

na classicidade poética da vida."



"Independentemente de gostar ou não, o importante a referir é que muito pouco do que me rodeia me agrada totalmente. Claro que gosto do mundo sim, principalmente eu que ainda creio em utopias. Mas a ânsia de chegar à perfeição e de fazer com que o mundo a atinja, move-me a lutar e falar. Posso ser pequena, e sou-o decerto. Mas enquanto puder falar, muita coisa poderá mudar!"



"Sei dessa tua perfeita sintonia que comigo crias. Todas as frases inacapadas que deixas que eu, pelo menos em pensamento complete. Conheces-me quase melhor que eu, o que não é difícil, dada a minha complicação perceptiva das coisas. Não o sabes. Não sabes isso, isso mesmo que eu sei. Inspiras-me. Consegues fazer viver o eu que tantas vezes se esconde. Em ti sinto a liberdade. Sinto-me feliz. Não me deixes, por mais afastado que possas estar..."



Andei a intrigar-me com isto até que decidi testar: será que tal como Fernando Pessoa também eu me consigo dividir? Sei sim, que nada em mim é igual. Já me disseram versátil. Acho que é uma qualidade. Mas acho fantástico poder-se ser outros que não nós, daí a minha paixão pelo teatro que aqui ainda não falei. É Magia, tudo Magia.


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Amarela constância que pouco dura


É a paz. Sim é a paz. Aquela que vem com as bolas prateadas que giram, que giram do alto dos prédios e projectam a luz, não sei o que são, mas sei como são. Rodam, rodam, rodam, enroscam e desenroscam e não saem do mesmo sítio. Também deveria assim ser. Também isso eu nelas admiro. E são elas que me fazem viver todas as bolas prateadas que giram do alto dos prédios e projectam luz, o Sol, que já vi. Já as havia esquecido, confesso. Mas depois de olhar por aquela janela do terceiro andar, aquela janela desesperada pela rua, pelo ar, pelo Sol, que a rotina não permite aceder, vi luz e enchi-me de alegria e depois… parei. Vi e senti e ouvi e envolvi-me naquela sensação. A sensação que há longos anos não vivia, o facto de me concentrar nas bolas prateadas faz-me esquecer tudo o que não importa. Faz-me estar ali. Pacificamente contemplando o mundo, e contemplando-me. Saber aquilo que sou, ao som do silêncio, debaixo do céu azul, ainda que com frio, pensativamente me entregando ao girar das bolas prateadas do alto dos prédios. Fiquei feliz, lembrei-me que sou feliz. Soube de novo que a felicidade eu sinto, eu sinto sem os outros sentirem porque eles não precisam de sentir.
E continuei, debaixo do mesmo céu azul sem nuvens, de uma claridade remota que me faz ser forte e ser eu e ser livre e amar. Continuei depois a andar, a andar devagar como não faria antes. E a sentir-me bem, com aquele momento que descobri ser único e ser meu. Lembrei-me de onde esse céu me é familiar, é do Carnaval acho. Também do quintal.
Mas e, contrariamente ao que racionalmente queria fazer, confesso aqui a minha pequenez. Talvez a coragem de a admitir aqui, junto do que me faz feliz. Mas a pequenez de não ser capaz de fazer o que sei ser certo, o que sei ser bom. Muito me movo ou promovo pela igualdade, fraternidade, liberdade e mais “dades” que sejam politicamente correctos. Mas no fundo, sou simplesmente igual a todos os outros, penso demais no que os outros de mim pensam e não no que os outros sentem, estes sim os outros. Sou feia. Sou feia e má. E sou igual a todos eles. Mas pelo menos tenho consciência disso. Acho que vou tentar remediar algumas coisas. Eu sou eu, sigo-me por aquilo que sei ser melhor, ganharei muito mais pela autenticidade, acredito.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Inúteis Lágrimas Liláses que Anseiam Mudança


“as pessoas vão dizer: «é horrível!» e continuar a jantar.”


Esta é uma das frases (não asseguro que seja literalmente assim) presentes no filme “Hotel Ruanda”. Ainda só vi a primeira parte, mas acho que não devo aguentar muito mais, claro está que só o vejo obrigada, na aula de geo. Mas é isto que mais me angustia, o facto de a única coisa que eu consiga fazer é chorar.
Por isso é que me quero aventurar, por isso é que quero justificar aqui, aquele desejo de férias alternativas que muitos não compreendem. Desde que surgiu a ideia de trocarmos a viagem de finalistas por um mês de voluntariado com crianças num país pobre que não consigo pensar noutra coisa. É tudo muito alto, é tudo muito assustador, é tudo muito cativante! Claro que tenho medo, óbvio que tenho medo. Mas quero fazê-lo, qualquer coisa. Aqui, ali. Sinto uma energia tal por dentro que me sobe da barriguinha até à boca e me faz sorrir, que não consigo sequer pensar em muitos contras. Quero crescer, estar algum tempo longe das coisas terrestres que nem sempre (ou nunca) importam. Como diria Fernando Pessoa: "Despi a realeza, corpo e alma, e regressei à noite antiga e calma como a paisagem ao morrer do dia." É certo que ajudar posso fazer a minha vida toda em qualquer lugar. Mas o meu presente aventureiro é agora, é hoje! Depois haverá a faculdade, depois haverá o emprego, depois haverão os filhos… E eu sempre sonhei com isto, eu preciso de crianças para viver! E ainda que não sejam crianças, eu não posso continuar a ver este espectáculo, para o qual nem o bilhete paguei, sem poder manipular o cenário! É no Haiti, é no Ruanda, é na Etiópia, é na Índia, é na Colômbia… pode até ser em Angola… decerto o meu trabalho será preciso e, mesmo apenas durante um mês, saberei que realizei uma obra que nunca haveria de realizar se não tivesse partido. E não teria entrado na vida daquelas pessoas, naquele momento, naquele lugar. E um dia Madre Teresa de Calcutá disse “Sei que meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor.” E entre as minhas pesquisas de suporte às minhas argumentações encontrei outra que faz todo o sentido: “O que você passou anos construindo, alguém pode destruir da noite para o dia. Construa assim mesmo.”
Por vezes nada muda porque sabemos que isso muito convém a alguns, mas se poder mudar a vida de poucos dos muitos, já serão menos a sofrer.


E outra coisa, este mês não invalida de todo a nossa semana de “bobagem” no parque de campismo, na casa alugada ou na pousada da juventude que todos nós esperamos. Aguardo ansiosamente por esta “rambóia” conjunta, sabem bem*

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Inocente Felicidade Rosa das Princesas e Fadas

Não sou mais como era. As brincadeiras, a força, a magia, tudo aquilo que era bom, ate a irreverência. E os que me amavam, amam certamente, que despendiam do seu tempo comigo, e despendem, e daquele brilhozinho com que me olhavam e adoravam ver-me sorrir. Ainda adoram, ainda olham mas não é igual. Claro que nada como era o é agora nem eu, e quem sabe se não foi essa a maior perda de todas, orgulho-me de quem sou, mas sei que tudo outrora era bom e agora nem tudo o é. Devo ter crescido, devo ter perdido a luz e como não queria que tal acontecesse! Adorava-me! Agora a vida é diferente já não necessito daquele aconchego eminente (ou erramos quando isso pensamos), daquela musica no rádio do carro nos dias de chuva, daquele encontro com o pequeno Igor e das pinturas de Carnaval da caixinha que cheirava a isso mesmo: pinturas de Carnaval. Mas amo-vos intensamente e se amo! Desde os pequenos dias em que lia o livro do ursinho que tinha uma toalha aos quadrados vermelhos no navio (não tenho a certeza se era um ursinho), aos que colocava imans novos no frigorífico até aos que ficava horas a fio perdida no tamagochi que me haviam dado e o qual muito estimava. Agora vejo piscina, aeroporto, comboio, brincadeiras no sofá e cabeça no chão, aquele velho hábito que difere agora na ausência de alcatifa tal como o igualmente provocador de sermões: secar as mãos ao pano branco da cozinha. Fui tão feliz e sou, mas o tempo não volta nunca para trás e nunca mais poderei sentir a grandeza da cozinha nos dias de festa, da noite de chuva, das músicas desse tempo, do caderninho das Spice. E mais, o jardim que vi na primeira vez, o mendigo para quem sorri no metro e que gerou pânico de me raptarem: tão bonita e indefesa era eu de olhos e cabelos claros, menina de seus pais e de seus tudo, aqueles que a conhecem desde bebé e a criaram tão bem quanto os primeiros, mas com mais tempo. E a eles, depois de toda esta angústia de perceber que talvez não seja como queriam que fosse, ou pelo menos não seja como era em criança, o meu MUITO OBRIGADO, porque ainda me orgulho de ser quem sou!

É PARA SER LIDO AO SOM DESTA MÚSICA.
video

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Grená, porque não? Hoje o dia é de avarias mentais


Pode não ser este o caminho, mas a minha individualidade cheia de gentes, é capaz de bastar. Nesta quietude agitada com que consigo dar acção aos verbos que logo deixam de o ser, sinto-os. Distantes, desviantes, devorantes, quiçá? São esses olhos que pouco procuro e raramente consigo encontrar e que confusos e dispersos podem observar-me. Não será este o meu mítico e teimoso erro de ver o que lá não está como quem espera pelo que já passou? Se a poderosa magia existe pode não sê-lo aqui, mas e porque não? A minha racionalidade relativizante será assim tão pouco sensível a estas velhas novidades que as sinta com indiferença? Ou estará a intriga perene do meu eu que emoções mostra, querendo revelar-se mais alto e mais além?
O certo é que esse tacteado hesitante um dia chegará onde almeja, de uma forma ou de outra. Com romanescas e inspiradas intenções e apaixonantes sonhos iluminados ou apenas com sorrisos amistosos de quem dá aquilo que pode. Chegar-não-chegar, olhar-não-olhar, espreitar-não-espreitar por aquele cantinho a que vulgarmente chamamos rabinho do olho, são as ilusões eminentes daquilo que vai preenchendo lacunas que ambos sabemos completar.
A perfeita sintonia que em momentos de devaneios consigo conquistar, sozinha ou não, por aquilo que tenho vindo e posso vir a receber, mesmo que de poucos e pequenos bens se trate.

E agora, hein? Inspiração ou exposição? Caros leitores que por norma são as pessoas que se metem na minha vida e a que costumo chamar de amigos, entendei-vos com esta mensagem que fala de entrelinhas do destino, entrelinhas essas que podem tentar entender, se eventualmente e teimosamente existirem.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Noite Dourada


De fora apenas se via a janela, no primeiro piso, é capaz, dourada, tépidamente iluminada, recheada de mesas simples e de bom gosto, luxuosamente reuqintada de pessoas, altas pessoas desse alto primeiro andar, que disfrutavam de uma qualquer refeição, jantar, sim era jantar. Uou! Excalmei eu. Quatro estrelas! Que máximo! Observei por momentos a porta, a transparente porta que comunicava com a recepção, confortável, igualmente bonita, moderna, quente. Simpática, parecia simpática e era convidativa. Almejei um dia lá ficar, quiçá numa loucura aventureira? Depois de ter descido o Parque, e atravessado acho que já mais de metade da Avenida, de noite, claro, já quase nada mais poderia juntar magia ao passeio ao qual o tempo deu tréguas. Mas dois passos à frente, lá estava ele. Comodamente imóvel, apreciando também ele a agradável noite e muitíssimo bem vestido de cartões, sob os quais dormitava deitado no chão. Muito bem acompanhado da a sua garrafa de vinho, companheira de longa data, atrevo-me a dizer. Mas que é a única capaz de olhar por ele na solidão. Se teria fome? Provavelmente. Mas as altas pessoas do primeiro andar não. Mergulhado numa imensa núvem cinzenta, não me foi possível ver-lhe a cara. Se calhar também não quis, envergonho-me muito por isso, por não ser quem desejaria ser. E discretamente lá estava ele escondido. O sem-abrigo, o vagabundo, o marginal, aquele que não vive porque não pode, ou porque não quer na minha sociedade. Não, não estava escondido, estava lá para quem visse. E vive, vive na minha sociedade se não eu não o via, se não não me indignava este contraste de dois passos, se não não haveria a luxuosa refeição iluminada, a que o escuro e magro e solitário homem sem casa não pode aceder, porque à minha sociedade nem eu sei se pertenço.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A Cimeira da Apatia Azul


Não sabem há quanto tempo já andava para vir aqui escrever isto. Sou uma vergonha, estou de férias e não escrevo, é um facto... Tinha um dossiê para fazer sobre a Cimeira de Copenhaga, era um assunto que me interessava, mas ainda não tinha percebido que resultados tinham sido obtidos (talvez porque não foram quaisquer resultados obtidos), então, como sou um génio, descobri um site do Jornal de Notícias que tinha notícias actualizadas sobre a cimeira, em várias partes do dia. O que é que a esperta da Joana Catarina fez: toca de as compilar, e depois quando me apetecer que leia! Passaram-se dias e nada de ler aquilo, li até metade e até estava atenta (são 13 páginas a tamanho 10 de Times New Roman!), continuava pensando que quando acabasse de ler aquela matéria que muito me seduzia, escreveria o post. O facto é que ontem, vi um debate na 2 sobre o assunto e fiquei muito mais esclarecida, escusado será dizer, que embora depois tenha lido o resto, não faço a mínima ideia do que lá consta...


Devaneios à parte, o que interessa é que acho que esta gente ainda tem muito para aprender sobre governar o Mundo (como se fosse função dos Homens o governar!). O objectivo da cimeira era encontrar um acordo que comprometesse os países a não permitir que a tempreatura subisse mais dois graus acima da verificada na era da revolução industrial.

Mas daqui resultou que, já não se queria procurar aspectos para agarrar no Protocolo de Quioto que acaba em 2012 (I think), e que estabelecia metas para a reduçaõ da emissão de CO2. Após reinvindicações da União Africana, lá tentaram discutir este assunto, mas o protocolo ficou, claro, sem nenhum seguidor.

A cimeira foi como que um jogo entre dois blocos China e EUA, segundo algumas fontes. EUA mostraram vontade de mudança e participação, mas nada muito claro, pois a defesa de Obama remeteu-nos para o "Comité dos Representantes"? (talvez seja outro órgão) que não permite que algo seja aprovado sem dois terços de votos a favor ou algo parecido. China por outro lado, apoiada pelos países em desenvolvimenrto, alegava que tinha também o direito de se industrializar. O que me consta também é que a China, assumindo-se país desenvolvido nalguns aspectos, quando precisa de tomar responsabilidades, refugia-se no conceito de país em vias de desenvolvimento.

Para a Índia por exemplo, os países ricos, responsáveis por a actual situação, devem ajudar financeiramente os mais necessitados, E ficou estabelecido que se criaria um fundo para financiar a tecnologia ecológica dos países mais pobres. No entanto a cimeira estava a terminar e não havia nada palpável. Era um seguimento de discursos e não podia. Era necessário tomar decisões.

Tal não aconteceu em termos de compromisso e advertências. O acordo foi "anotado" e ISTO PARA SALVAR O PLANETA NÃO CHEGA!


Não tiveram tempo de tomar decisões em duas semanas... quanto tempo mais precisarão quando já não houver mais tempo?!


O FUTURO DO MUNDO NÂO PODE ESTAR NAS MÃOS DE QUEM NÃO DÁ PROVAS QUE O PODE MUDAR!



"o nosso clima, não o vosso negócio" GREENPEACE

sábado, 12 de dezembro de 2009

Os dois Cinzentos Passos que agora são três e Mais Claros

Pesoas, pessoas e mais pessoas. Cada vez mais e cada vez mais longe. Longe sim, e não vou até lá. Não vou não. Recuso-me! É sempre assim e sempre assim foi... aquela distância de dois passos que podes percorrer para a mim chegar, desta vez, não a vou percorrer. Tanto, tanto que já vivemos, tanto que já confiámos, tanto que já encontrámos... e agora nada, as maravilhosas conversas de cheiro a gengibre lá ficaram, na casa dos caramelos e batidos com os livros na varanda, na casa do terraço grande e dos cereais com leite frio... e o pior é que não notas a verdadeira importância desses dois passos, que podem ter cada vez mais pedras, ou mais buracos e até embondeiros, quem sabe? Para ti são só dois passos de distância, e porque não dá-los eu? É sempre assim e sempre assim foi... E quando inevitavelmente nos encontramos nessa densa floresta, ou no deserto árido vês-me como dantes. Mas o dantes já passou e o outrora é agora presente, e as conversas de cheiro a gengibre não habitam mais nesses encontros ocasionais. Mas cada vez mais os dois passos parecem três, e quatro... e nesse mítico caminho tu consegues ver-me perfeitamente, o que talvez não passe de uma miragem, causada pela sede que tens do passado e que perpetuas para o futuro. Para mim não pode ser assim, a ponte enfraqueceu de mais, não me regaste como devias, por isso seco agora. Mas não quero dar aquilo que não recebo, e bem sei que não me procurarás. E aí, quando sentires cheiro de gengibre em outras chaminés que não as nossas e de batidos de fruta em outros terraços, consigas entender o espaço que cresceu e o percorras para me buscar. Se não, é porque de nada valeram e, o teste é bom. Se ao menos fosse corajosa para o fazer... mas a minha amizade é tão forte que, pelo menos, pelas pernas traçadas à chinês com os pés descalços no chão frio, e pelas saudades que disso tenho, eu continuo a alimentar-te a miragem que de mim vês e contemplas, mesmo sem conhecer.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Leve Brisa Azul da Noite


Cheiro a ti.
E o perfume que em mim
fica e que de ti é,
é profundo e intenso,
porque de ti assim é.

Quando por vezes te sinto,
é pelo teu perfume
que sonho e tremo,
e quase cândida fico.

É a saudade que de ti tenho
que assim me deixa,
a vontade de te ter perto
mas de longe estar e a vontade
de bem de perto cheirar,
aquilo que me podes dar.

Apenas o perfume tenho
e com ele me contento,
basta para aliviar
a ânsia que me não
leva o vento.

Mas depois tudo se mistura,
floral, doce, suave ou frio.
E aqui se perde o meu nariz,
nos pensamentos que teus
Poderiam ser.

E lembro-me de outras eras,
de histórias e lugares.
E pessoas facilmente me invadem
com perfumes que outrora conheci
mas de perfumes não me esqueço
e não me esqueço de ti.

Desejava mesmo
era poder ter-te a ti
e o passado que vivi.

Cheiro a ti e é bom,
porque contigo posso estar
e sinto que pertenço
verdadeiramente a um lugar.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Palácio de Magenta Amor


Outrora corríamos pelos corredores, largos, fundos, sob um céu de sonhos ondeantes, esculpidos por gente grande e escondia-me na alcova real, de mantos rosa de veludo e de desejos dourados, de paixões espelhadas e encontrava-te depois coberto pelo cortinado de seda azul da noite, envolto em mistério, no mistério que me seduzia e nos jurava amor. Passávamos a sala de rompante e tropeçava no sofá, nas caneladas do destino, e sabia de certo, que, desatenta, iria de novo contra algo, mas não parava, e tu corrias atrás de mim, apenas paravas com medo de fazer as porcelanas cair, mas depois continuavas, e seguias-me até ao quarto dos infantes. Subitamente aparece o mordomo, paramos, coramos, continuamos a ver. Ele passa e entramos, agora sim éramos iguais, ambos crianças, simples, que no meio da ingenuidade traçávamos futuros, e no meio dos livros de histórias de encantar que narravam histórias de reis e rainhas, príncipes e princesas, condes e condessas, adormecíamos no tempo. Investes, e eu fujo, para a cozinha, agora. Passas a mesa, eu pego na frigideira, pesada, tem a força do nosso amor, ias levar com ela, mas simplesmente me abraças e a carregas. Põe-la no lugar e agarras-me. Até hoje. Espera!, disse eu, e o terraço? No terraço vivemos agora, com as rosas da fina diplomacia, e as giribérias que a mim lembram alegria. Com os cravos, e as dificuldades, e as túlipas e os amigos. O Sol sempre raia lá em cima, e no banco nos sentamos a contemplar a vida, as heras trepam pela parede como o nosso amor que cada vez cresce mais, e o perfume? Esse acende-nos a paixão e move-nos na vida.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Esvazia-se no Cinzento


A minha stôra de Português diz que "A saudade não tem tradução. Podemos traduzi-la, mas a saudade portuguesa não é como as outras." Sempre me pareceu um bocado duvidosa esta afirmação, já a a havia ouvido de outras bocas... mas se calhar é verdade. Relativisando o assunto, podemos ver que desde os descobrimentos, a separação de famílias tornava evidente a saudade, este sentimento de falta, de angústia, de querer estar e não conseguir, de querer tocar e apenas ver o vazio... Mais tarde com a emigração, a busca por uma vida melhor que separava tantas casas e, a guerra, a guerra que trazia a incerteza do regresso a casa. A ausência doi, mas não saber se haverá a possibilidade de novamente voltar a ver uma pessoa, magoa e fere muito mais. Sempre fomos um povo sofredor e somos, excessivamente, quentes. Quentes, acolhedores, próximos... e assim nota-se muito mais a ausência.

A saudade é algo que me invade muito, quando estou mais frágil ou quando me fragilizo com ela mesma.A minha estabilidade é posta em causa quando alguém sai da minha vida, ou quando há essa possibilidade. Não suporto a dor de perder alguém. Quero tudo assim, tudo igual. Ver-me longe de alguém que amo, é uma questão que nem consigo evocar, mas às vezes, a realidade evoca-a por si própria e aí tudo desmorona. Mas há que viver com isso, e nunca cair na ilusão e na esperança de que as partes de nós que por aí circulam, sabem que os amamos verdadeiramente.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Chocam-me de uma maneira Laranja Berrante

Só tenho a dizer, que 40 % de abstenção é uma vergonha.
De que valeu Salgueiro Maia pôr a vida em risco e o professor B. lá da escola ter atracado em cima daqueles tanques em Abril, se ninguém agora quer decidir por si?
Abstenção de 16% em 1976 e agora isto?
Faz falta sentir-se o sabor da liberdade, faz falta pensar. Tudo rouba a intelectualidade humana e a ocupa com actividades desnecessárias. E assim, tudo pensa pelas pessoas e as pessoas deixam de pensar. Opinião, não sabem o que é? Opinião é o que tenho porque penso, porque uso o cérebro. Como pode gente hipócrita não escolher e queixar-se depois?
Consequências de quando não se escolhe. E deviam ser mais graves do que são. Só para aprenderem.
Voto em branco é sempre protesto.

É verde, mas eu gosto


Citadina até mais não. São raras as vezes em que pensamos sobre o que somos. Eu sou uma miúda da cidade, e ninguém o pode mudar, nem eu mesma. Acho que a cidade nos mima e mal habitua. Posso ir ao cinema quando quero, onde quero, com quem quero. Tenho-o a dois passos. Tenho tudo à mão, lojas, restaurantes, livrarias, perfumarias... até a linha de metro, que tantas vezes me carrega. Posso ir para onde quero, quando quero, sem satisfações nem complicações. Eu entro e ele, o metro, leva-me. Para longe, para perto. Até para onde eu não quero ir. Mas leva. E aí, toda a dependência que me possa prender desaparece, vou para onde quero. Quem me impede?

E vou para Lisboa, por exemplo. Dantes Lisboa não era importante. Dantes Lisboa era comércio e serviços. Mas agora não. Lisboa é Lisboa. E descobri que é linda, que é verdadeira a beleza do rio e, que poucas serão as cidades dotadas de tanta fantasia que a história lhes confere. Imaginem, todos os recantos. Todos os passos cujos recantos foram espectadores. As personagens. As causas. E o rio? O rio que para mim, apenas era a ilustração da longa e interminável estrada que conduzia à praia nos dias de trânsito caótico, agora é mais do que isso. É o Rio da cidade. Aquele que sabe tudo. Nada acontece sem por ele passar. Nada se fala sem ele saber. E a cidade ele beija, e abraça. E protege. E, agora, aquele rio que dizem ter-me sido mostrado muitas vezes, faz lembrar-me quem sou, e de onde sou. E é esse rio que tenho em comum com todos os que habitualmente me constróem.

E continuo a ser a princesa da periferia, mas ao menos, conheço o Rio.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Puras Justificações Brancas

E sempre que te vejo fico assim, esquisita. Acho que é a vontade de querer mais e não ter. A vontade de te querer ver mais. E saudade, saudade sim. E, já que nunca vou ter coragem de te dizer isto na cara, escrevo aqui, pode ser que, de uma maneira ou de outra, esta informação chegue até ti.
Eu tenho necessidade de conceptualizar, de rotular, de definir. Neste caso, preciso de organizar o que realmente sinto por ti porque, mesmo que já ninguém deseje saber, eu acho que me tenho de justificar, nem que seja, a mim mesma.
Primeiro que tudo, devo dizer que este tipo de coisa que por ti nutro, até a mim me parece ridícula, por isso não censuro quem o ache também, nem mesmo tu. Mal falámos, pelo menos, de coisas profundas, e nem sequer convivi contigo num grande período de tempo, daí a tal “estranhez” desta coisa. No entanto, sei perfeitamente a tua opinião sobre mim, e tu próprio mo disseste e, mais tarde, quem te era mais próximo o reforçou. Talvez por isso, talvez por saber que confiavas em mim, que me valorizavas… não sei, acho que passo tanto tempo a tentar ser perfeita, que quando alguém repara, fico estonteante. Tu reparaste. Provavelmente estou mal habituada e terá sido essa a razão do meu “gostar de ti”. A partir daí, passaste a ter carta branca para todos os teus erros. Tinhas o meu apoio incondicional, mesmo se não o merecesses.
Neste seguimento, muitas das questões, prendem-se com este mesmo “gostar de ti”. Não era paixão, isso nunca: paixão envolve desejo, é carne e não era esse de todo o meu sentimento por ti. Amor? Não, pelo menos no termo em que o conceptualizamos. Nunca almejei qualquer quadro romântico, não, nunca, pelo contrário. Acho que o que eu queria era uma relação de irmãos, e aqui entra a parte ridícula, acho esta relação, racionalmente injustificável e despropositada. Mas é nesses mesmos termos, racional, adjectivo que por vezes não me caracteriza. Sou sonhadora e acredito em utopias. É verdade, todos temos as nossas falhas.
Tenho uma irmã, mas nunca me dei muito bem com o meu pai, acho que necessitava/ necessito de um elemento masculino mais acessível. Acho que foi isso que encontrei em ti, queria uma relação de confidência, percebes?
Ter um melhor amigo com quem podia contar.
Expressei-me mal algumas vezes, é certo. Fui mal interpretada, se calhar com razão. Mas nunca fui muito boa a joguinhos. Acho o deixar surgir da espontaneidade tão mais simples… Talvez tenha sido esse o derradeiro erro, e aquilo que não chegou a acontecer acabou ali. Houve um corte quando me precipitei, quando confiei na inexistente compreensão dos meus actos.
Ainda assim aguardo, estupidamente, por um regresso. E pelo feliz findar dos meus planos. E pelo brilho nos teus claros olhos. E, por isso passo mais atenta junto ao teu trabalho procurando por esses teus olhos, e por isso estou constantemente à procura de algo nos locais onde passas, e por isso olho sempre para dentro de todos os carros iguais ao teu, esperando que de lá saia o teu olhar e o teu sorriso. Se algum dia leres esta informação de carácter explicativo, saberás que és tu.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Mais um para a colecção de Cores


Ah ya, esqueci-me de dizer: fiz dezassete anos!


Não é qualquer um, hein.


Rodeada de metáforas, comparações e hipérboles que ocuparam a minha vida, tornei-me uma quase adulta da qual me orgulho. Sinto, respiro, vejo e faço. Por agora chega.

Consciencialização Encarnada-Atrevida

-Sabes quando te vais meter numa alhada, mas mesmo assim queres ir em frente?
-Sei.
-Sabes quando provavelmente, a única coisa que te vai restar no fim da aventura, são ilusões desfeitas, por quem nem sequer sonha que tas desfez, mas mesmo assim experimentas?
-Claro que sei, e tu também sabes. Não é?
-Sabes quando tu achas que estão a acontecer coisas, que tentas negar, mas que no fundo acontecem e tu finjes-te despercebida, mas a verdade é que queres subtilmente pedir explicações.
-Sei e tu já devias ter aprendido que não vale a pena pedi-las.
-Sabes quando tu, já por experiência sabes que não vai dar em nada, mas mesmo assim acreditas utopicamente num bom resultado, aquele pelo qual esperas desde sempre?
-Sei ainda mais, sei que tu vais subtilmente fazer isso tudo e no fim, continuarás a esperar. Tal como ainda fazes.
-Sabes quando vês o passado no qual ainda confias e vês o futuro no qual tens medo de avançar, mas um bichinho na barriga diz-te para deixares correr o presente?
-Sei, e sei que depois do teu atrevimento, ficarás à espera dos dois eternamente.
-Mas hoje passou o passado, e eu parva, por muito que saiba que ele não volta, continuo a visualisá-lo no futuro. E este presente, este presente logo se vê. Mas eu cá não empato!
-Sei que tu gostas de confusão, e que vais esperar para ver, quando devias assistir na plateia e não no palco principal.
-Sabes quando achas que é outra missão, não sabes?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

"Ficas tão rosada depois do jogging!"


Começo a medo entre empasses, tentando atrasar o inevitavel. E dão o emporrão e inicio a corrida. Devagar, com pouco entusiasmo, mas depois com força, de vontade pelo menos, um, dois, três passos acelerados. E já está. Corrida contínua como eu gosto, sem desníveis nem arritmias. Constante. Agora já não paro. Não desisto, não troco, não me alio ao vai-vem. Mas passado algum tempo o corpo começa a ceder, as forças falham quando é necessário amparar uma queda no destino, uma queda minha. E recorro novamente à força, posso motivar-me em ti, ou em ti, ou em ti, ou mesmo nela, ou neles. Mas a minha motivação nem sempre é segura e é tarde quando disso me apercebo. Mais enfraquecida fico. Mas não paro. Não sou miúda de parar. Por mais que não seja para mostrar o que valho. Ainda assim, quando consigo aguentar o cansaço muscular, começam os pulmões a pedir mais, e mais, e mais. E eu respiro, muito. Insiro, inspiro, inspiro, mas mal expiro. Tudo entra e não sai. Como às vezes desejava poder expirar mais e respirar devagar, oxigenar o sangue? Mas não. è uma aflição tão grande, uma necessidade de morte em encher, mas esvaziar custa. E quem corre comigo tem de saber ensinar-me a respirar e tem saber que não estou a deitar fora e tem de saber aliviar a minha dor. Aí chega o momento insoportável, aquele em que as pernas já não correm, em que os pulmões já não se enchem, em que paro. O momento de parar. E paro, fico pelo meio, terei já cumprido os meus objectivos? Os outros continuam mas eu não. E que mal há nisso? Houve gente que parou antes de mim.

E amanhã começo de novo.

A minha vida nada mais é que um jogging de sentimentos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Subjectivismo da Sabedoria Azul


"Franklin sabia pelos dedos dos pés contar, e os sapatos apertar"

Fazendo um balanço da minha estadia na Terra, contraponho o que já sei e o que me ainda é desconhecido.

Sei que a Terra gira em volta do Sol e a sua temperatura média são 15º, sei que já houveram duas guerras mundiais, distintas entre si, mas semelhantes na inutilidade, sei que Bill Gates é o fundador da Microsoft e Pasteur descobriu a penicilina. Sei que o CFC's contribuem para a redução da camada do Ozono, que o valor de Pi é aproximadamente 3, 14 e o Teorema de Pitágoras se traduz pelo quadrado da hipotenusa ser igual à soma dos quadrados dos catetos, num triângulo recto. Sei ainda que o coração tem duas aurículas e dois ventrículos e que Jonh Locke defende o Empirismo. Sei que Eça de Queirós escreveu "Os Maias" e "A Tragédia da Rua das Flores", sei que D.Pedro nunca mais foi o mesmo depois da morte de Inês e que Picasso pintou "Les Demoiseles d'Avignon".

Mas sei ainda que a D. Luísa quer sempre uma tacinha de vinho natural, e o Sr. Madamas come sempre com uma faca de serra, sempre. Sei que o Sr. Armando não se lembra do que comeu ao almoço, mas sim do que viveu na Índia há algumas décadas atrás e sei que a D. Prepétua só bebe café com adoçante e que a D. Odete adorava quando eu reparava que ela tinha ido ao cabeleireiro. Sei que o Sr. Rita gosta da bica curtinha e não come arroz porque comeu muito na tropa e que a D. Lucília fica envergonhada quando a tentam juntar com o Sr. Madamas. Sou das pessoas, sou uma pessoa por ser das pessoas.
Tal como o Franklin, sei uma gigantesca quantidade de coisas simples pertencentes ao meu espaço ao meu tempo. Coisas que dão mais alegria aos dias da multidão que me envolve, ou que, pelo menos, a podem fazer sentir melhor.

Ainda me falta aprender muito. Muito sobre a física, a biologia, a história, a geografia, a língua, a matemática...

E muito, muito sobre as pessoas. Sobre ocupar um espacinho nesta sociedade que pode muito bem ser familiar, se assim a concebermos. O que mais almejo é o dom da Palavra, talvez já não esteja tão longe assim...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Sim ao Azul, Sim às bolas Amarelas, Sim aos Sóis Verdes-Claro


Há daqueles dias em que tudo é bom. Dias em que sorrimos e zangamos, falamos depressa e amuamos. Dias com ou sem coisas menos boas, que escapam à inteligibilidade humana.
Dias em que ouvimos críticas e não protestamos, em que gentes nos corroem todo o juízo como abutres em volta da carne e nós desprezamos e dizemos “está bem” a tudo, em que nos querem fazer inferiores e nós não deixamos.
Dias em que todas as músicas de rádio são ouvíveis, dias em que todas as notícias são boas, ainda que descanse o Mundo em paz e o céu nos visite e o mar abrace meio planeta, ainda que as areias dos desertos dancem baladas até terras mais longínquas e o gelo dos pólos possua a liberdade, dias em que o não nos soa a sim e as perdas se transformam imediatamente em ganhos.
Dias em que nada nos incomoda e tudo nos satisfaz. O vento não despenteia. A água fria não salpica. O calor não nos faz suar. Os animais não nos amedrontam. A energia não nos cansa.
Dias imprevisíveis, irregulares, e extremamente felizes, em que o Mundo gargalha connosco.
Dia Sim! Hoje é dia Sim. Amanhã sê-lo-á também: “certezo” nisto!
Há e haverá um Sol e uma Nuvem, mas nos dias tais, sentamo-nos na núvem e encharcamo-nos de sol.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Aquela Hipocrisia do Mundo Rosa


Falta-me coragem. Mas irrita-me esta cobardia. Irrita-me que gente viva assim e que eu nem consiga olhar. Irrita-me que gente viva assim e que a única coisa que eu faça é chorar. Irrita-me que gente viva assim e que a única coisa que me aconteça é ter pesadelos. Irrita-me, chateia-me, angustia-me.
Para uns são só os ”pobrezinhos de África”. Mas não são. África é já ali. E como podem ser tão frios? É uma realidade. Os pobrezinhos? Não são pobres, são sobreviventes!
Como é que é possível que pessoas, seres humanos vivam sem comida, sem água, sem casa… sem família. É verdade, nós lutamos, fazemos birras, zangamo-nos por roupas, por passeios, por jogos… eles nem dinheiro têm para comer, nem dinheiro têm para ir à escola. MUITOS COM A MINHA IDADE E MAIS NOVOS, NEM PAIS TÊM!
Mas eu não queria fazer este discurso. Já toda a gente o sabe. E é um discurso cínico, irritantemente cínico. Porque ninguém faz nada. Porque eu não faço nada! E porque raio é que eu não faço nada, se sei que há coisas para mudar?
Sei ainda que provavelmente nada farei depois deste discurso. Mas é um facto, eles existem, eles não têm casa, eles não têm comida, eles não têm água.
E nós? Mas, posso tentar recolher-me à minha sensibilidade cínica ferida e, pensar que já não é mau se, ao nos consciencializarmos, passarmos a dar menos valor aos materiais e a dar mais valor ao que mais valor tem. Mas isto também é muito bonito e, mais uma vez, extremamente cínico.
Sinto-me uma miserável ao saber das coisas a que dou valor e ao saber das coisas com que eles vivem. Mas isso não lhes serve de nada. Servia-lhes de alguma coisa se, em vez de me sentir miserável, eu mexesse uma palha por eles.
Podemos tentar ser menos consumistas.
Mas o que eu queria com isto, é que, fujamos ao cinismo e à hipocrisia e consigamos ter alguma ideia de aquilo em que podemos ajudar, mesmo com o pouco que podemos. Podemos ajudar, o Mundo somos Nós!

Menina de Coração Branco


Era uma menina traquina
E, que, mesmo um pouco varina,
Conseguia o que queria,
Sempre pela simpatia.

Era uma menina que todos gostavam
E que até presenteavam,
Pela sua honestidade e sinceridade,
Alegria e acessibilidade.

Mas um dia essa menina caiu,
Porque muita gente viu
Como a menina sorria
E brincou com a sua alegria.

Foi aí que no escuro se escondeu,
A menina que o Sol conheceu,
Mas para o qual nunca mais olhou
Com medo de quem a magoou.

E agora peço à menina traquina
Que volte à antiga rotina,
Para que eu, com o seu amor,
Aprenda a acabar com a dor.

E sei que vai ser igual,
Num contínuo Natal,
Em que a menina faz o bem
Sem olhar a quem.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Teorias Azul de Sabichão


Porque é que as mulheres vão sempre juntas a casa de banho?
Ora bem, a pergunta que tem, durante séculos, perturbado as mentes masculinas tem uma simples razão de ser. Todas as mulheres vão acompanhadas à casa de banho por pena, é isso mesmo!
Pena, e ai de quem o não admita! Tenho argumentos muito sólidos.
Vejamos. Está um grupo de amigos, rapazes e raparigas sendo que uma tem vontade de ir fazer xixi e, dirigindo-se para as raparigas: “Tenho que ir à casa de banho, quem é que vem comigo?” E, prontamente, mais do que uma se disponibilizam.
E, no caminho, vão a comentar: “Epah! Agora estão a roer-se por querer descobrir porque vamos sempre juntas à casa de banho…”
Entretanto, eles avançam com hipóteses: “ Quando chegarem já lhes pergunto - quem limpou quem?”… “Mas que raio escondem elas que têm de lá ir sempre juntas?”… “Eu acho que é para se consolarem, de angústias.”
Quando elas voltam: “Então falaram muito bem de nós? Nós sabemos que somos todos bons mas podem dizê-lo a nós!”
Elas, à parte, “E depois ainda perguntam porque vamos… é para os vermos felizes, ficam todos convencidos sempre que nós lá vamos! São mesmo tontos”.

Porque é que os pais não gostam de centros comercias?
Esta resposta é lógica. Todos os pais se desculpam com o facto de não gostarem de esperar, não gostarem de ver lojas visto serem são muito machos… e não gostarem de esperar, porque as filhas demoram horas a escolher roupas…etc, etc, etc.
A verdade é que têm medo dos seguranças, isso mesmo. Todos aqueles músculos e, aquele mover de ancas para um lado e para o outro, com aquele intercomunicador que lhes confere uma voz sexy… Não! Não! Não é deles, é de duvidarem da sua virilidade!
E, pronto, é esta a teoria.

Porque é que os homens engordam quando casam?
Todos os homens engordam quando casam porque… e aqui vai bomba:

Deixam de ser obrigados a comer o peixe cozido com bróculos que a mãe lhes fazia.
É isto.