sábado, 9 de abril de 2011
Vermelho, cor dos sentimentos
Então as relações humanas são intrigantes? Tão intrigantes que se conseguem identificar num autocarro. Aqui se simplifica aquilo que os teóricos definiriam por complexo. Ela era a Kika do Dragon Ball e ele um "cavajeste" qualquer duma telenovela brasileira de há alguns aninhos. Sim, sim, bonita demais para ele. Mas assim que conseguiu deixar de a abraçar, já à porta do autocarro, ela disse-lhe adeus, e voltou a dizê-lo quando o autocarro deu a volta. Não era um autocarro até Trás-os-Montes, nem tão pouco até à Margem Sul... mas agora a Kika talvez se sentisse sozinha: apesar de tudo agora a sua atenção era apenas requisitada por aquele pequenino ser dentro do carrinho. Uma atenção que se traduzia em caretas e palavras com poucas sílabas. Mais à frente estava o ajuntamento típico, um homem, uma mulher. Ela encostava a cabeça e ele beijava-a. De repente salta um terceiro olhar daquele banco, afinal, já não eram dois mas três. O último agora na idade dos porquês. E no fundo, desenhava-se banda-desenhada com banda sonora de David Fonseca. O seu ar cosmopolitano de Londres de quem, apesar de ter estilo, está preso a uma rotina, suscitava agora o interesse dela que ia batendo o pézinho ao som da música que ele garantia. Na mesma fila de bancos, no lugar junto da janela. Estes eram para já os seus interesses em comum. E já se estavam a dar tão bem... Agora o pequeno ser sai do carrinho nos braços da mãe que o apresenta ao menino dos porquês. E riem-se muito. Mas também a multidão preencheu os bancos vazios e os meninos cá de trás já não se conseguem ver... Volta a esvaziar e voltam a estar platónicamente juntos. Uns separados sem querer, outros juntos e outros que se poderiam juntar. E depois?
quarta-feira, 23 de março de 2011
Ajustamento azul-escuro
Há escolhas estúpidas. Umas que se revelam à partida estúpidas, outras que o fazem no fim, e outras que por seu lado mostram a sua estupidez intermitentemente. O pior é que há decisões estúpidas que necessitamos tomar, ou porque o mundo assim o dita, ou porque somos estúpidos. Por vezes ambos os factos levam à decisão.
Tenho algo, a que chamamos livre-arbítrio, que me permite fazer escolhas. E se isso não se verificassse seria, concerteza mais infeliz. Mas as minhas escolhas nem sempre me trazem grande felicidade. Mais até porque está sempre alguém a lembrar-me do quão perfeita não sou. Não o nego, seria estúpido se o fizesse. Mas se perco dias da minha vida a levar uma esolha às costas como se fosse ao cólo, a perfeição podia dar um jeitinho. Nem sempre custa, mas há vezes que custa demais.
E ninguém é capaz de descer do pedestal iluminado e descalçar os sapatos de cristal, bem como os códigos de boas maneiras e os conceitos eruditos para voltar a descobrir quem conheceu antes de quase tudo, e de quase nada. E a tristeza ganha.
Tenho algo, a que chamamos livre-arbítrio, que me permite fazer escolhas. E se isso não se verificassse seria, concerteza mais infeliz. Mas as minhas escolhas nem sempre me trazem grande felicidade. Mais até porque está sempre alguém a lembrar-me do quão perfeita não sou. Não o nego, seria estúpido se o fizesse. Mas se perco dias da minha vida a levar uma esolha às costas como se fosse ao cólo, a perfeição podia dar um jeitinho. Nem sempre custa, mas há vezes que custa demais.
E ninguém é capaz de descer do pedestal iluminado e descalçar os sapatos de cristal, bem como os códigos de boas maneiras e os conceitos eruditos para voltar a descobrir quem conheceu antes de quase tudo, e de quase nada. E a tristeza ganha.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Verde- Tropa
Aquilo até estava a tomar um rumo normal, até que tive consciência das palavras. Das palavras que proferia enquanto erguia a arma. Lembro-me lá do nome dela. Nem tão pouco me preocupo em fazê-lo. Pensemos que era uma basuca XV 30 000 com cano partido.Ainda atónita, perguntei à minha parceira: "Será que ele já matou alguém?!". Era a brincar. Não era a brincar. Não sei. Mas também, saber se o portador de tal instrumento já tirou a vida a alguém não é importante.
A importância reside no "Apontado para a nuca faz logo um buraquinho que é uma maravilha". Não no tom irónico das palavras, mas na essência das mesmas.
Nós não estamos em guerra, mas se estivessemos aquelas armas serviriam para tirar a vida a alguém, alguém que, se calhar, está obrigado a permanecer naquele lugar, àquela hora. Ou alguém que simplesmente transporta as armas com os mesmos ideais de quem lhe tira a vida.
A arma não é um brinquedo, nem um troféu. É uma sentença.
E depois ainda me perguntam se oq ue não me prende lá são os baixos salários...
Obrigatoriedade de Dar, Receber e Retribuir em azul
Conceito de comunidade imaginada: só é uma comunidade se, do encontro ocasional surgirem relações de dependência e solidariedade. Mas é imaginada. E, por isso, é livre e anárquica. Admitamos que seria estimulante: a junção da ingenuidade com a sabedoria. Que relação fatídica... mas maravilhosamente condicente. Era um risco que talvez corresse, apesar de estar à priori condenado pelo meu superego. A troca seria mais que equilibrada.
A Carta Amarela do Tempo
Eu sei que tenho deixado isto assim meio abandonado, mas tenho escrito, acreditem. Tenho escrito outras coisas, noutros sítios. O problema é transcrevê-las para aqui. Mas hoje dedicarei-me a fazê-lo!
Costa do Marfim
Não tenhas medo. Está tudo escuro, eu percebo. Mas não tenhas.
O pai e a mãe já vêm. Eles sairam, mas voltam. Não sias à rua, as pessoas estão confusas e não andam a fazer coisas boas. Não fiques em casa. Pelo menos, não sem escolheres um sítio como esconderijo. é que essas mesmas pessoas podem entrar pela tua porta dentro. Mas não te assustes. Por favor. Elas procuram algo e, não encontrando, voltam para a rua.
Procuram coisas de valor, não posuis. Procuram armas, infelizmente sabes o que são, mas não as tens. Procuram álcool, também não tens. Então procuram o teu pai, ou atua mãe. Para coisas distintas. Mas sairam. Eles voltam, já te disse.Mas depois de tudo isto.
Depois do sangue ser limpo das ruas pela chuva, depois do cheiro a pólvora e a morte se diluir com o vento, depois dos gritos das balas se calarem com o tempo.
Eles voltam.
Tu, inocente, terás de novo uma família. Terás a fome saciada e a debilidade curada. Enquanto isso, espera, espera como já esperaste. Espera que o mundo veja aquilo por que passas agora e o jogo em que tranformaram a tua vida.
Não queres um governo.
Queres paz.
Não tenhas medo.
Hey! Ainda te manténs acordado?
(o texto já tem uns tempos)
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Vermelha Rede Natalícia

E enquanto esburacava minuciosamente a fatia de bolo-rei com a faquinha, pensava na essência do Natal. Não que eu me permita assumir que, exporádicamente, delineio grandes teorias sobre assuntos mais, ou menos, interessantes, mas a minha nobre capacidade de utilização de eufemismos faz-me escrever conclusões que tiro nestes raciocínios a que a minha pequena intelectualidade se porpõe através da minha humilde experiência.
Bom, o que é certo é que apareceu cá em casa o potezinho do doce de abóbora que algum vizinho ofereceu, não é um vizinho qualquer, isso sei-o bem, ele é que não sabe que eu não gosto de doce de abóbora, mas a sua senhora fê-lo por esta altura, diria até propositadamente, e ele distribuiu-o pelas pessoas que lhe são mais queridas com o intuito de o colocarem na mesa de Natal. E o meu pai, cortou quase todas as couves que haviam crescido na horta e entregou-as. A este, àquele, ao outro, a esse mesmo... tudo gente que ele queria ver feliz por poder ter na Consoada couvinhas da horta, que não sabem ao mesmo que aquelas dos supermercados. E desta vez temos umas 7 caixinhas de bombons, arriscaria a dizer, na nossa mesa Natalícia, quer dizer 7 não, porque tanto bombon ocuparia o espaço do bolo-rei e das rabanadas, portanto encontram-se em espera numa outra mesa qualquer. Algumas foram oferecidas gentilmente pelos clientes dos meus pais (clientes não, consumidores é uma palavra mais bonita, uma vez que estou em PM, mas assim terá de ser "pelos consumidores dos serviços que os meus pais proporcionam", porque os consumidores não consomem os meus pais, ou pelo menos, não na íntegra, só a paciência) outras pelos distribuidores. Eu sei que são estrtágias de fidelização e acções de relações públicas que passam a ser exercidas pela pessoa do vendedor, mas a verdade é que os senhores se lembram de trazer chocolatinhos e nós agradecemos.
Mas ninguém dá como prenda, ninguém dá com o propósito de se colocarem os artigos bem juntinho da árvore, do lado direito do presépio, ninguém dá sequer por obrigação ou ressentimento. As pessoas dão porque conhecem a utilidade dos produtos nesta época e tal é a azáfama da época que nem sequer descobrem o mistério escondido nesta palavra: Dar.
E o Natal é isso. Pequenas e grandes linhas de solidariedade e agradecimento nas quais as pessoas caminham, tropeçam e se prendem, tentando atingir a felicidade, por mais que não seja durante dois dias.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Companheirismo Azul

No outro dia cheguei a uma conclusão. Os amigos de infância, aqueles que podemos dizer que "conhecemos desde que nascemos", esses que nos mordiam e com os quais brincávamos às escondidas e, que nos mordiam enquanto jogávamos às escondidas têm sempre uma cadeirinha nesta coisa a que podemos chamar de plateia para a qual espalhamos sentimentos. Esses sentimentos de "gostar de ti".
Então a tese é: podemos estar meses separados, mas quando nos juntamos é como se tudo voltasse a ser igual. Não a idade, não o sítio, não o tema da conversa (bem, este tópico é discutível), mas o à vontade, o entendimento ou não. É assim um portal do tempo para aqueles dias em que viamos o Batatoon e lutávamos pelo comando. Aqueles dias em que quase deitávamos os aquários ao chão. Aqueles dias em que esfolávamos os joelhos na alcatifa, gozando uns com os outros.
Hoje, depois de todas as imbirrações e aversões, sei que tenho um ombro onde deitar a cabeça nas viagens longas.
sábado, 27 de novembro de 2010
Visitas Roxas
Não sei como foi, nem porque foi. Só sei que quando me vi, já estava aninhada em ti. Epá e aquele abraço soube-me por mil. Precisava. Precisava daquilo e de muito mais. Pode ser o pré, o pós ou o durante mas a verdade é que as coisas não andam a correr muito bem. Irrito-me, falo mal, fico mal. E nada muda. Vá, sejamos sinceros, muda. Isso dói-me. Dói-me ainda mais, porque já me doeu mais, outrora. Mas ver-te e conseguir com que me roubasses um abraço é daquelas coisas que me fazem pensar. Pensar sobre tudo o que foi, sobre tudo o que é. E é muito pouco. Continuo sempre a encontrar-te e isso é bom. É óptimo. É reconfortante. Pena foi ter-me posto propositadamente entre duas feras, como sempre, mas pronto um dia enfrento-as.
Agora, só quero lembrar-me da tua aconchegante camisola. Se...
Agora, só quero lembrar-me da tua aconchegante camisola. Se...
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Etiqueta cinzenta "Made in China"

Caixas, pacotes, sacos e paletes. Uns quantos braços descarregam, deste lado do mundo, uma grande variedadede coisas castanhas e cinzentas. Há quem vá. Há quem volte. Há quem tire dum lado. Há quem ponha noutro.
Tudo maquinalmente organizado com um fim. Qual? Não sei bem. Provavelmente a venda de coisas. De muitas coisas e de muitos tipos.
Sinceramente, não gosto muito da palavra. Coisas...
Máquinas essas de tez sul-asiática que tentam, há já vários anos, a sua sorte num país que, não se dizendo racista, deveria comprar mais dicionários.
A impessoalidade daquelas caixas, dos pacotes, dos sacos e das paletes transporta a insignificância e o anonimato de muitas vidas. Da do motorista da carrinha e dos muitos filhos dos senhores das barraquinhas. Dos bagageiros nos vários países e dos longínquos operários "made in China".
De facto, são apenas isso, coisas feitas para fazer coisas. E bem sabemos nós que muitas dessas coisas são muito pequenas. As que fazem coisas. E de alguma coisa serve?
A industrialização legítima com base em ilegítima exploração favorece um legítimo desenvolvimento económico.
Economia que cresce com o trabalho maquinalmente organizado de deslocar caixas, pacotes, sacos e paletes. Economia com grandes implicações ( e como esta palavra cheira a justificação) que não permite a acção dos senhores perfeitos da comunidade internacional que todos acham que existem... C-O-M-U-N-I-D-A-D-E I-N-T-E-R-N-A-C-I-O-N-A-L.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Se a cor depende de cada um, a minha é verde-alface
-Será que algum dia foste feliz?
-A felicidade é muito subjectiva para to poder dizer; mesmo quando pensas que quando comecei a ser feliz, a infelicidade me impediu de ser, digo-te que tudo é uma questão de dar mais importância a essa felicidade para que não seja abafada. Se vires a felicidade em tudo, serás feliz.
-A felicidade é muito subjectiva para to poder dizer; mesmo quando pensas que quando comecei a ser feliz, a infelicidade me impediu de ser, digo-te que tudo é uma questão de dar mais importância a essa felicidade para que não seja abafada. Se vires a felicidade em tudo, serás feliz.
São de terra, são castanhas

É absurdamente estúpido escrever sobre aquelas horrorosas escadas. Mas a pedido de várias famílias, terei de o fazer.
São exactamente isso, horrorosas. Intermináveis, infindáveis, largas para pôr só um pé, estreitas para pôr dois. Íngremes, feias, torturantes. Ninguém nunca falou, em tempo algum, bem das mesmas. E ninguém nunca falará. Uma escola tão bonita e moderna, à qual se tem de aceder por esta tentativa de escadas, que ornamenta uma colina, onde se encontra de tudo, menos cimento. Não que eu ache o cimento uma coisa bonita, mas passar aqueles dolorosos 10 minutos da minha vida (5 a subir e 5 a descer) fugindo aos ataques de plantas, canas, e toda uma panóplia de coisas verdes, que por não serem cortadas, são gigantes e, por outro lado, de eventuais espécies de animais das quais nunca avistei nenhum exemplar, mas que cuja existência já me asseguraram, é desagradável e desesperante.
E muitos são os arquitectos que já se debruçaram sobre as possíveis alternativas àquelas escadas (sem ser ir dar a volta ao mundo, o que pode acontecer, num dia qm que chova muito, ou que precisemos de fazer tempo para ir para as aulas - o que não acontece), nos quais eu me incluo. Porque não uma rampa acimentada, umas escadas forradas a alcatrão, ou simplesmente o embelezamento da coisa, que ao menos não nos faria desistir das actuais escadas antes mesmo de as começarmos a subir?
A boa notícia é que chegarei ao Verão com os glúteos "memo bons"!
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
A falta de controlo poe-me amarela
É que não sei o que vai acontecer. E isso dá-me dores de barriga e tira-me a fome. Não gosto de meio-termos. É um stand by que me perturba e atrofia o corpo e a mente. Será que sim? Será que não? E enquanto isto não acabar não passa. Isto? este querer/não querer, este vai/não vai.
E depois mordo-me de insegurança quando penso em toda uma realidade diferente com que me deparo sem ter consciência. E fico triste. Ou então passa por mim qualquer coisa que me dá uma força vinda sabe-se lá de onde e me faz sorrir.
Mas cá p'ra mim nada disto significa o que costuma significar (ou se calhar sim). Mas não tenho a certeza de nada. E isso irrita-me tanto que me baralha cada sentimento e me enfraquece constantemente.
E depois mordo-me de insegurança quando penso em toda uma realidade diferente com que me deparo sem ter consciência. E fico triste. Ou então passa por mim qualquer coisa que me dá uma força vinda sabe-se lá de onde e me faz sorrir.
Mas cá p'ra mim nada disto significa o que costuma significar (ou se calhar sim). Mas não tenho a certeza de nada. E isso irrita-me tanto que me baralha cada sentimento e me enfraquece constantemente.
domingo, 3 de outubro de 2010
Não se preocupem em compreender este texto cor-de-rosa
Costumava ser hábito olhar para a rua todos os dias e acenar. Sentia-me bem, porque me correspondiam. Naquele agitar de mãos e mexer de lábios percepcionando-se o “olá”, estava implícito muito mais. Agora quando olho não é igual. Por isso é que gosto de hábitos.
Interessa lá se eram pretos. A boa notícia é que falavam
É uma vida agitada, mas isso toda a gente sabe e, sendo verdade ou não, todo o mundo o diz. Andando aima e a baixo como muitos transeuntes, começava a ficar desanimada, uma vez que quase todos os meus pensamentos se focavam naquilo que queria e não encontrava. Nada de muito importante. Mas desejado. Lá tive a ideia de pedir emprestado, depois de todo aquele esforço físico e mental. Mandei mensagem, telefonei e lá encontrei alguém que me satisfez o pedido. No entanto, ainda nesta azáfama, informaram-me que o meu pedido não era possível de satisfazer nas medidas em que queria. E fui então eu, tentar remediar-me com o que haviam encontrado. Mas estava irritada e alegre ainda assim, porque ao sentir-me tão ridícula, chegava a achar piada de mim mesma. Foi aí que os vi. E fiquei encantada. Não era daquilo que tinha andado em busca a tarde toda, mas era muito melhor. Eram cintilantes, esses pequeninos olhos que me sorriram quando por eles passei. E senti-me tão feliz que tudo aquilo em que estava embrulhada me passou ao lado. Gostei tanto de ver o que vi, que fiquei surpresa por me ter mostrado a racionalidade. Parei, olhei e e o que era importante deixou de ser esquecido.
domingo, 26 de setembro de 2010
Os meus tubarões verdocas
Sabes, quando era pequena costumava atravessar o Tejo. Lembro-me de pouca coisa daquela época, mas sei de algo que nunca esqueci. Tinha medo dos tubarões, sim, eu tinha de passar por uma pontesinha para entrar no barco. E se eu caísse? Se eu caísse os tubarões esperariam por mim lá em baixo e não seriam meiguinhos. Mais tarde descobri que só há golfinhos em Tróia e baleias nos Açores. De tubarões, nunca ninguém aqui ouviu falar. Mas também, quando soube da sua inexistência, já naõ navegava mais naqueles barcos.
Sabes, depois disso, muito depois, ganhei outros medos. Assusta-me a ideia do novo habitat, eu gosto daquilo a serio, mas não consigo viver sem pessoas, sem as minhas pessoas. Também não consigo pensar que há a possibilidade de me abandonares, sim, é para ti, acho que não o farás, mas já passou muito tempo e esta nova etapa será diferente da outra. Claro, tenho medo de ti, sim de ti, tu que te estás a esconder, há coisas que não devem acontecer e, acho que essas coisas perturbam a minha expressividade aqui, por exemplo. Mais uma, não ter inspiraçao nem imaginação nem originalidade assusta-me, eu preciso de escrever. E sim, tenho medo de não conseguir, agora que entraste na minha vida e porvavelmente não lerás isto. Tenho medo de não querer, de não avançar. Ainda não me aliciaste o suficiente. Nem sequer sabes disto.
Mas um dia, sei que descobrirei que os tubarões também não navegam nestes mares.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Capas pretas a sorrirem escondidas
A primeira impressão da vida académica foi: "Eles não são assim tão maus", pronto e o inevitável: "Os trajes das miudas são bem giros"...Muito sinceramente estou a divertir-me, o facto de entrar naquele recinto faz-me crer que entrei numa outra fase, numa outra aprendizagem e isso é claramente evidente quando contacto com as pessoas, as pessoas que já fizeram do recinto a sua casa, os doutores, os veteranos, os trajados. O ambiente que se cria, apesar de todo o constrangimento e vergonha iniciais, é de partilha e entreajuda. Eles riem-se de nós, nós rimo-nos uns dos outros embora insistam que "caloiro não ri", mas se não fosse como é, de que maneira tanta gente nova se iria conhecer? De que maneira os novatos iriam conhecer o espaço? De que maneira os caloiros conheceriam outros colegas mais experientes?
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Como é um luar azul?
Noites calmas. Não é um chá, de facto, não é dum chá que preciso. Noites calmas são simplesmente aquelas que fazem alguma diferença. Não que as minhas não o sejam, porque não são, de todo, agitadas. Mas uma noite, para ser calma, apenas tem que me fazer sentir bem. Eu gosto de olhar para o céu e vê-lo escuro, preciso de ouvir silêncio, ainda que o silêncio da cidade, como bem conhecemos, quero incessantemente que a noite seja minha. E é tantas vezes... Verdadeiramente isolada nas ruas da minha cidade, à noite, vejo tudo muito mais bonito.
Hoje parece que a noite vai estar nublada... ainda assim, será uma noite calma que cheira a início de aulas e à rotina de inverno de que afinal até gostamos.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Drama intemporalmente branco

E se tiver morrido?
Morri.
Afinal não fui eu, foi o outro.
Mas como é que se morre?
Eu vi-te bem, falavas e respiravas. Agora já não. Mas não é só o acto de respirar que dá vida a um ser. Não pode ser. Eu não vivo com máquinas. As pessoas têm algo, algo que faz com que a sua vida seja desejada, desejada pelo mínimo de pessoas que até seja. É a essência, a alma, a personalidade... é simplesmente o que transforma a nossa existência em vida.
Mas se isso não é máquina, porque desapareces da Terra? Acredito que partes para outro sítio, um sítio melhor... mas enquanto isso, a morte assombra, assombra como palavra, como entidade, como realidade. É a perda. E a perda dói. Tenho medo que doa mais ainda durante o resto da minha vida. E tenho a certeza que os meus receios se confirmarão...
E se tivesse sido eu, queria ter um funeral cheio de gente. Acho que é bom, acho que é porque as pessoas sentiam a minha falta. Mas podia não ter ninguém.
Morte cruel, a morte só. Tristeza grande, a da alma que parte sem se sentir amada. Visão mais angustiante, a de ver um felório vazio.
A morte prova a diferença que no mundo se sente depois da nossa vivência.
A morte é muito pior se a diferença não for alguma.
Todo o humano é especial à sua maneira, não quero sentir-me só. Acredito que não te sentirás só. Não quero que alguém se sinta só. Ainda que essa solidão seja vista de olhos fechados.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
O pote é tão transparente que até parece vazio de ideias
"Então e agora? Vais para que curso?"...
...
...
"Pois ainda não sei, ando a ver..."
Ando a ver, ando a ver, mas só posso ver mais umas semanas (e muito poucas, por sinal). Neste meu acto desesperado, em que estou a evitar constantemente usar a minha capacidade chamada "razão" para fazer uma escolha, dependente do meu "livre-arbítrio", venho falar-vos de um dos meus problemas. Nunca fui boa em escolhas, não é nenhum segredo. Bem, não é nas escolhas em sim, mas no acti de escolher. Sou a indecisão andante. Não sou psicóloga, muito menos de mim mesma, mas acho que esta minha inquietação em fazer opções se prende com a insegurança de optar pelos caminhos piores em vez de os melhores.
É claro que vejo os prós, os contras e os neutros e ainda os outro neutros. Mas nada.
Concretamente, não sei se sigo "Publicidade e Marketing" ou "História". Sim, não tem nada a ver. Preciso da vossa ajuda malta, estou num pote onde não alcanço a tampa, mesmo.
Em P/M gosto muito da componente prática: os ateliers, o estudo do comportamento do consumidor, os estudos de caso... Para além disso, actualmente o emprego parece existir em maior quantidade, no entanto devido à grande popularidade de que está a ser alvo, esta realidade pode muito provavelmente ser alterada. Outro factor que me agrada é a média ser de aproximadamente 15/16 e a minha média digamos que é elevada e não gostaria de a "desperdiçar" (compreendo a vossa indignação, a serio, mas não me julguem pelo egoísmo ok?).
H acho que é assim o campo de saber que mais admiro, causa-me uma imensa curiosidade aprender História. Sinto-me uma pessoa muito mais culta e interessante quando me entrego a esta disciplina, no entanto não sei se o plano de estudos não será excessivamente teórico para mim. Quando me vejo perante muitas opções semelhantes, caio na monotomia e perco o interesse... Mas o que tenho visto é que, mesmo durante o curso me posso dedicar a pólos de investigação variados que até me poderão integrar no mercado de trabalho. O emprego como se sabe é muito escasso nesta área, ainda para mais, eu gostava de seguir ensino secundário. Mas se me destacar pela possitiva pode ser mais fácil encontrar trabalho e quem sabe se as projeções não mudarão, uma vez que muito pouca gente está a concorrer a esta área? Frustra-me um bocadinho é a média ser tão baixa (vá atirem lá as cascas de banana!).
É isto. Não me decido. E sei que provavelmente entro na primeira opção em que me candidate, logo não há o critério "entrar na segunda opção".
Sugestões?
quinta-feira, 24 de junho de 2010
A Escola Era Azul, Também o Adeus o Será

E separaram-se essas duas almas. Duas não porque na verdade são muitas mais... Seguiram em frente até que um desses pequenos seres subiu e o outro desceu, pela rua que, muitas vezes, juntos ou sozinhos, subiram e desceram tantas vezes...
De facto, nunca mais nenhum deles passará por esta rua sabendo que aquela escola lhe pertencia. Pertencia sim, porque a escola é de todos!
De facto, nunca mais nenhum deles olhará para dentro desta com um olhar implicante e contestatário, sempre justificado (e outras vezes nem tanto).
Porque nunca mais se sentarão lado a lado, ou de costas, ou de frente nas carteiras que habitaram tantas vezes e que são testemunhas de muitas conversas. A maioria delas cusquice, ou até mesmo mal-dizer, mas aquele mal-dizer que sabia bem dizer quando nada mais se conseguia ouvir dizer ali, dentro daquelas quatro paredes, dentro daqueles pavilhões, dentro daquele portão.
Muitas coisas eram más, outras tantas eram boas. Mas nunca as aulas de secundário se repetirão. E claro que todas as almas desse liceu, principalmente as mais próximas, se continuarão a encontrar (não seria esta a verdade mais desconfiada de sempre...)
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