quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dourada Geração Errante e Reinante


E a luta que guia a vida?

E o sonho a conquistar?

Oh gente mesquinha e oca

e quieta e preguiçosa,

inculta e presunçosa,

nunca conhecerão o verdadeiro sentido

de ser, de vencer!

É tudo dado e abdicado

em favor dos que nada fazem

para serem realmente felizes.

O que não está, estivesse.

O que não é, fosse.

E esses ideais porque muitos sofreram?

Esses foram ganhos, mas não lembrados.

E outros não se levantarão,

nem para ti, nem para mim,

porque eles querem, podem e mandam.




E eu também.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Hoje Apeteceu-me Incendiar as Ideias com Madeira Clara


Os três argumentos contra a pena de morte:

1 - se matamos alguém por este ter morto alguém, então também nós deveríamos ser mortos e, consequentemente, o mesmo teria de ser feito a quem nos matou e assim sucessivamente (o que convinhamos, não era muito viável, haveriam órfãos, e baixas taxas de população activa e crise no sistema da segurança social, etc)

2 - o facto de a vida ser um direito ilanienável impede que alguém, considerado entidade justa e suprema a possa findar, assim não nos caberá, jamais, a nós, humanos, cidadãos no mesmo pé de igualdade, julgar sobre a vida de outrém

3 - enquanto que numa pena em prisão, caso mais tarde se prove a inocência de um condenado, este pode ser liberto, o mesmo não sucede se o mesmo for morto (a não ser que consiga ressuscitar, o que não sendo eu de intrigas, me parece pouco provável)


Assim sendo, não se pode punir um crime com outro crime e mais, por mais repressivos que possam ser os sistemas judiciais (que tendem muitas vezes a falhar), não impedem que os crimes continuem a ser praticados, temos o caso dos EUA. A redução da criminalidade é reduzida através da educação e da transmissão de valores que incutam a consciência do outro como um ser igual a nós.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Iluminação Champanhe do Vazio


-No fundo sentimos o mesmo.

-Bem sei o que te atormenta, o vazio que te engole, o abraço porque esperas. E melhor que ninguém, sei que o consolo é tarefa árdua.

- Essa angústia que te consome e não te permite ser feliz, os pensamentos em que te afogas e não te deixam viver. Nada, nada me sabe melhor do que esquecer e seguir. Pegar no bom e amar. E sorrir.

-Dor de alma é o que me consome por saber que não consegues superar, que te é impossível superar-te.

-Não ter amparo, ou não o sentir é estar num túnel sem fundo. Mas também eu anseio a luz. Também tu a poderias adiantar, a poderias desejar com muita, muita força.

- Eu, não sei como viver.

- Quem melhor que tu para te ensinares? Sê dono do teu próprio destino. Entre mares e desertos, tempestades e calmarias, és tu quem pode encontrar o caminho mais ameno. Nesse caminho não faltarão, duendes, ou fadas, ou até mesmo cães falantes ou golfinhos voadores.

sábado, 10 de abril de 2010

Se nesta Rua Apenas Existisse o Azul-escuro ou Preto dos Impressos, Estavamos Mal.


Se calhar exigem, se calhar exigem que deixe de fazer escorregar as pernas quando o chão está gurduroso, ou deixe de estupidamente dançar quando mais ninguém vê, ou de fazer aqueles aldrabados passos de ballet que sempre quis aprender. Se calhar exigem que deixe de fingir que toco piano com os dedos quando estou a trautear uma cançao, ou que a deixe de cantar por mais desafinada que esteja. Se calhar exigem que deixar de fazer vozes irritantes e de me rir com os lábios todos rasgados. Ao menos que não precise de deixar de pular, sem ser a pés juntos. Saltitar é isso mesmo, em vez de andar. Será que tenho de deixar de rir? E de fazer textos como criança? Talvez não possa continuar a tapar a boca e a cabeça com o lenço, sonhando estar nas Arábias ou atá-lo atrás das costas criando uma nova peça de roupa, ou ainda prendê-lo à cadeira, vendo-me como dama indefesa atacada por bandidos.
Tudo bem, que o façam. Que me acusem de o ser, ou de não ser. É me inconcebível fazer cara sizuda para os que me olham só para parecer mais velha. Ou para parecer que tenho a idade que tenho. Sou incapaz de sorrir apenas com o alargamento dos lábios cerrados só para parecer mais velha. Ou para parecer que tenho a idade que tenho. Não me é sequer permitido deixar de fazer corridas ou concursos de insultos (com a mana) só para parecer mais velha. Ou para parecer que tenho a idade que tenho
. Não guardo, não espero. Há momentos em que tenho de me portar bem, outros nem tanto. Enquanto isso e ainda que tenha sempre a mesma idade, não quero deixar de fazer o que me apetece. Mas claro que não ando a fazer estas coisas na escola, não é. A questão é porquê? Será que sou assim tão anormal ou ninguém tem esta necessidade de avariar? Gentinha pobre de espírito que se contrai e endireita, se ergue e se fixa, se endurece e se esfria deixando apenas parecer. Parecer o que é.

Ah! E sei de quem goste de mim assim, tá?

Mesmo que Bastasse, a Transparência Não é o Meu Forte


Devia, devia não pensar
ou pensar só um bocadinho.
Devia escrever com atenção,
mas sem apagar depois.
Devia voltar a escrever aquilo
que realmente quero ou preciso.
Devia falar e dizer o que penso,
não que o que penso não o possa dizer,
não que o que penso seja mau de dizer,
mas apenas porque não o consigo fazer.
Devia pensar mais em mim
e fazer o que não gostas,
ser persistente até mais não
com a ideia que odeias
e fazer cara feia quando não me ouves.
Devia aprender a dizer não.
Não, não.
Não quero, odeio, é feio.
Pronto disse.
E agora?
Não quero magoar mas não me quero magoar.
Se eu ouço, que me ouçam!

segunda-feira, 29 de março de 2010

O Céu Azul é Omnipresente


Apercebi-me de que o Sol é igual onde quer que estejamos. Bem, não é bem o Sol, é o ar. Mas também não é o ar, é o meu espaço, ou o espaço onde estou. Vá, onde quer que estejamos talvez não seja verdade, mas o facto é que consegui sentir a mesma brisa e o mesmo calor e o mesmo silêncio de Paris. O mesmo silêncio? Sim o dos pensamentos. E por momentos senti: as pombas, os pardais, as árvores e o Sol. E depois pensei, é Primavera, e assim associei a lógica das estações. Quem sabe se a sua existência não tem como fundamento próprio juntar bocadinhos de elementos comuns de ano a ano. É possível.
Ainda assim, e tal como as estações, que embora mudando de data, aparecem sempre em todo o mundo, também eu, e também tu, seremos sempre os mesmos. Com menos ou mais calor, mais ou menos chuva, menos ou mais vento. E de que quem não nos livramos é dos dramas pessoais e os problemas chatos, que vão connosco para aqui, para lá e para acolá. Em contrapartida, também o nosso Q de coisas boas não nos deixa no aeroporto.

sábado, 20 de março de 2010

Novos Valores Amarelos se Levantam

Tenho medo disto! Medo deste mundo.
Descobri na TV um programa belíssimo, em que as mães inscrevem incessantemente as suas crianças em concursos de beleza. Para que destes saiam vencedoras, não poderiam, de todo, faltar horas de maquilhagem e cabeleireiro, fatos de plumas e birras q.b. Não serão estas impacientes e inoportunas birras, que constituem os dramas íntimos destas mães, de algum modo (ou de todos) justificáveis?
Adivinhem lá onde é que estes pequenos espectáculos, de pequenas exibições de pequenas aquisições a render (ah não, chamam-se filhos!) se verificam... huum... vá lá, é fácil...
(sim, claro que é aí, nos EUA).
As crianças choravam não por fome, não por sono, não por febre... porque não queriam brincos, nem laca, nem rímel. Muitas têm 4 anos. Acho criminoso, sujeitar tão pequenos seres a esta pressão, a estes químicos, a estas roupas. Para quê? Para os pais comprarem carros com o dinheiro que os filhos recebem por mostrar a sua beleza tão infantil, tão ingénua e tão... artifícial.
Que valores, que valores são estes? Mães que põem a competir irmãs, tendo evidentes preferências. Mães que afirmam que o importante é o jurí gostar. Mães que exigem sorrisos aos filhos ainda que forçados e sem conteúdo.
Que resultados serão estes? Filhos frustrados por serem submetidos àquela palhaçada. Filhos são auto-estima e com medo da rejeição por não ganharem os concursos. Filhos que não gostam dos irmãos. Filhos que pensam que a beleza é o motor da sociedade.
E não será isto verdade? Não será a beleza, a superficialidade, a caixa, aquilo que interessa realmente, agora?
Tenho medo disto! Tenho medo deste mundo.
(para já não falar nos milhares que são dados para os garotos se pavonearem em frente a uma plateia enquanto que outros milhares morrem de fome e de sede)

terça-feira, 2 de março de 2010

Saberei as regras desse jogo azul sedutor?

Chegas-te de mansinho, retribuo. Não há espaço para palvras, mantenho silêncio. Despertas em mim essa curiosidade, a sede, o perfume. Torna-se hábito. Mas eu gosto, e tu também. Será? A dúvida torna-se pesada, perdi-me nesse teu pensamento desértico... e como está frio! Continuo, não há-de ser nada. A circunstância separa-nos, mas presenteia-la com a distância. Que bom era se de tão distante estivesses perto de mim, mas não será certo, certamente. Não interessa. Regressas. Agora és tu, não eu. Sentes-te como um arqueólogo no Egipto, desvendas esse mistério. Na serena quietude do meu ser, nada me faz reagir. Apenas deixo o destino correr. Um eclipse, será esta a vontade do destino? É-o indubitavelmente. Caio nesse poço. Não! É um precipício, mas lá em baixo... lá em baixo há vida! É um dia de Sol, sem uma única núvem e passeio sob o mesmo. Só? Não sei se continuas comigo... Desculpa, afastei-me do ponto de partida. Queria ter correspondido, mas preferi guardar, sem torbulências, esse ar que ouvi, trazido pela doce brisa de noite de Verão, o Inverno estava quente.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Bolha Cinzenta saudosa de Rosas Vermelhas

Não quero saber o que vão pensar da minha escrita mais comum, mas é assim que tem de ser. Quero exprimir o que sinto e não usar os meus sentimentos para construir maravilhosas composições das quais me vá vangloriar, porque não sou eu que tenho de evidenciar. É simples: não sei o que sinto, tou estranha. Importante para mim, claro, muito. Ensinaste-me a escrever o meu nome, a dar nome aos peixes, a limpar os ouvidos depois do banho, ensinaste-me a ser quem sou e agora… eu acho que não consigo acreditar, foi tudo muito rápido. Não, não acredito. Mas quer dizer, acredito porque não me estão a mentir. Não, não quero ver para querer. Não quero ver, tenho medo. Tenho medo de te perder. E não choro muito, não sei se por estar sempre acompanhada, se por ainda não acreditar de todo, ou porque pura e simplesmente me esqueço e sigo com a minha vida. Acho que estou a evitar o sofrimento, ya, lá estou eu a tentar uma das teorias froidianas para o que sinto. Mas se calhar é verdade. Se calhar esqueço-me de propósito, se calhar tiro importância de propósito, se calhar relativizo a questão e coloco-a nos outros de propósito. Mas não quero, de todo, deixar isto em branco. Sinto-me estranha. É assim uma coisa esquisita, que está no coração. Parece uma bolha. Desculpa, desculpa por tudo a sério. Fui muito mal criada, muito mal-educada. Tinha sempre resposta e nunca obedecia e fazia muitas birras. Acho que sempre fui um bocado egoísta até agora. A Ti te agradeço tudo. Desde os laços que dou aos ténis até à perfeição nos tpc. Aquele Amor que sempre me deste. Aquela tentativa de me cultivar valores importantes que fazem de mim o que sou hoje. Não tão perfeita como deveria, mas um protótipo de. A Ti te garanto que não passarás como se nada fosse, a Tua obra é magnífica e isso vê-se e isso sente-se. A prova de que os bons vivem felizes. Pelo menos assim acho, não tens noção da quantidade de pessoas que te adorava. Adoravas tanta gente. A ti sempre, Mãe, minha Linda Mãe, nunca te esquecerei (GOSTO MUITO DE TI, OUVISTE).

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Amor tão Branco e tão Ilimitado


"Da noite que me cobre,
Negra como um poço de alto abaixo,
Agradeço quaisquer Deuses que existam
Pela minha alma inconquistável.

Na garra cruel da circunstância
Eu não recuei nem gritei.
Sob os golpes do acaso
Minha cabeça está sangrenta, mas erecta.

Além deste lugar de fúria e lágrimas
Só o eminente horror matizado,
E contudo a ameaça dos anos
Encontra e encontrar-me-á, sem temor.

Não importa a estreiteza do portão,
Quão cheio de castigos o pergaminho,
Sou o dono do meu destino:
Sou o capitão da minha alma."

William Ernest Henley


E se ele "passou quase trinta anos numa cela, e conseguiu perdoar todos os que lá o meteram", como pode ser tão grandiosa a nossa pequenez que eleva a mais alta mesquinhice à condição de obstáculo ao perdão?

Descobri a plena bondade neste Homem, Mandela. Agora já posso juntar mais este pedacinho em mim, junto a Luther King e Madre Teresa. Pudesse eu ser tão valiosa como eles, que dentro da minha cela de largura de braços em que me encontro conseguisse ver o mundo e amá-lo, tanto como me amo a mim, tanto como às vezes me custa a acreditar que sou capitã da minha alma, tanto como me odeio sempre que me importo com a estreiteza do portão.


P.S. Vejam o "Invictus", não é dinheiro deitado fora, garanto*

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Fragmentação tropicalmente cromada


"Saudosa de lembranças remotas,

procuro no tempo a felicidade

que espero encontrar.

Engenhosa e intelectualmente falando,

requinto-me entre palavras que sei

de amor, de amor por mim

e pelos outros.

Com um alegre regresso ao que

dantes fui, consigo endireitar-me.

E forte consigo sempre ser,

na classicidade poética da vida."



"Independentemente de gostar ou não, o importante a referir é que muito pouco do que me rodeia me agrada totalmente. Claro que gosto do mundo sim, principalmente eu que ainda creio em utopias. Mas a ânsia de chegar à perfeição e de fazer com que o mundo a atinja, move-me a lutar e falar. Posso ser pequena, e sou-o decerto. Mas enquanto puder falar, muita coisa poderá mudar!"



"Sei dessa tua perfeita sintonia que comigo crias. Todas as frases inacapadas que deixas que eu, pelo menos em pensamento complete. Conheces-me quase melhor que eu, o que não é difícil, dada a minha complicação perceptiva das coisas. Não o sabes. Não sabes isso, isso mesmo que eu sei. Inspiras-me. Consegues fazer viver o eu que tantas vezes se esconde. Em ti sinto a liberdade. Sinto-me feliz. Não me deixes, por mais afastado que possas estar..."



Andei a intrigar-me com isto até que decidi testar: será que tal como Fernando Pessoa também eu me consigo dividir? Sei sim, que nada em mim é igual. Já me disseram versátil. Acho que é uma qualidade. Mas acho fantástico poder-se ser outros que não nós, daí a minha paixão pelo teatro que aqui ainda não falei. É Magia, tudo Magia.


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Amarela constância que pouco dura


É a paz. Sim é a paz. Aquela que vem com as bolas prateadas que giram, que giram do alto dos prédios e projectam a luz, não sei o que são, mas sei como são. Rodam, rodam, rodam, enroscam e desenroscam e não saem do mesmo sítio. Também deveria assim ser. Também isso eu nelas admiro. E são elas que me fazem viver todas as bolas prateadas que giram do alto dos prédios e projectam luz, o Sol, que já vi. Já as havia esquecido, confesso. Mas depois de olhar por aquela janela do terceiro andar, aquela janela desesperada pela rua, pelo ar, pelo Sol, que a rotina não permite aceder, vi luz e enchi-me de alegria e depois… parei. Vi e senti e ouvi e envolvi-me naquela sensação. A sensação que há longos anos não vivia, o facto de me concentrar nas bolas prateadas faz-me esquecer tudo o que não importa. Faz-me estar ali. Pacificamente contemplando o mundo, e contemplando-me. Saber aquilo que sou, ao som do silêncio, debaixo do céu azul, ainda que com frio, pensativamente me entregando ao girar das bolas prateadas do alto dos prédios. Fiquei feliz, lembrei-me que sou feliz. Soube de novo que a felicidade eu sinto, eu sinto sem os outros sentirem porque eles não precisam de sentir.
E continuei, debaixo do mesmo céu azul sem nuvens, de uma claridade remota que me faz ser forte e ser eu e ser livre e amar. Continuei depois a andar, a andar devagar como não faria antes. E a sentir-me bem, com aquele momento que descobri ser único e ser meu. Lembrei-me de onde esse céu me é familiar, é do Carnaval acho. Também do quintal.
Mas e, contrariamente ao que racionalmente queria fazer, confesso aqui a minha pequenez. Talvez a coragem de a admitir aqui, junto do que me faz feliz. Mas a pequenez de não ser capaz de fazer o que sei ser certo, o que sei ser bom. Muito me movo ou promovo pela igualdade, fraternidade, liberdade e mais “dades” que sejam politicamente correctos. Mas no fundo, sou simplesmente igual a todos os outros, penso demais no que os outros de mim pensam e não no que os outros sentem, estes sim os outros. Sou feia. Sou feia e má. E sou igual a todos eles. Mas pelo menos tenho consciência disso. Acho que vou tentar remediar algumas coisas. Eu sou eu, sigo-me por aquilo que sei ser melhor, ganharei muito mais pela autenticidade, acredito.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Inúteis Lágrimas Liláses que Anseiam Mudança


“as pessoas vão dizer: «é horrível!» e continuar a jantar.”


Esta é uma das frases (não asseguro que seja literalmente assim) presentes no filme “Hotel Ruanda”. Ainda só vi a primeira parte, mas acho que não devo aguentar muito mais, claro está que só o vejo obrigada, na aula de geo. Mas é isto que mais me angustia, o facto de a única coisa que eu consiga fazer é chorar.
Por isso é que me quero aventurar, por isso é que quero justificar aqui, aquele desejo de férias alternativas que muitos não compreendem. Desde que surgiu a ideia de trocarmos a viagem de finalistas por um mês de voluntariado com crianças num país pobre que não consigo pensar noutra coisa. É tudo muito alto, é tudo muito assustador, é tudo muito cativante! Claro que tenho medo, óbvio que tenho medo. Mas quero fazê-lo, qualquer coisa. Aqui, ali. Sinto uma energia tal por dentro que me sobe da barriguinha até à boca e me faz sorrir, que não consigo sequer pensar em muitos contras. Quero crescer, estar algum tempo longe das coisas terrestres que nem sempre (ou nunca) importam. Como diria Fernando Pessoa: "Despi a realeza, corpo e alma, e regressei à noite antiga e calma como a paisagem ao morrer do dia." É certo que ajudar posso fazer a minha vida toda em qualquer lugar. Mas o meu presente aventureiro é agora, é hoje! Depois haverá a faculdade, depois haverá o emprego, depois haverão os filhos… E eu sempre sonhei com isto, eu preciso de crianças para viver! E ainda que não sejam crianças, eu não posso continuar a ver este espectáculo, para o qual nem o bilhete paguei, sem poder manipular o cenário! É no Haiti, é no Ruanda, é na Etiópia, é na Índia, é na Colômbia… pode até ser em Angola… decerto o meu trabalho será preciso e, mesmo apenas durante um mês, saberei que realizei uma obra que nunca haveria de realizar se não tivesse partido. E não teria entrado na vida daquelas pessoas, naquele momento, naquele lugar. E um dia Madre Teresa de Calcutá disse “Sei que meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor.” E entre as minhas pesquisas de suporte às minhas argumentações encontrei outra que faz todo o sentido: “O que você passou anos construindo, alguém pode destruir da noite para o dia. Construa assim mesmo.”
Por vezes nada muda porque sabemos que isso muito convém a alguns, mas se poder mudar a vida de poucos dos muitos, já serão menos a sofrer.


E outra coisa, este mês não invalida de todo a nossa semana de “bobagem” no parque de campismo, na casa alugada ou na pousada da juventude que todos nós esperamos. Aguardo ansiosamente por esta “rambóia” conjunta, sabem bem*

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Inocente Felicidade Rosa das Princesas e Fadas

Não sou mais como era. As brincadeiras, a força, a magia, tudo aquilo que era bom, ate a irreverência. E os que me amavam, amam certamente, que despendiam do seu tempo comigo, e despendem, e daquele brilhozinho com que me olhavam e adoravam ver-me sorrir. Ainda adoram, ainda olham mas não é igual. Claro que nada como era o é agora nem eu, e quem sabe se não foi essa a maior perda de todas, orgulho-me de quem sou, mas sei que tudo outrora era bom e agora nem tudo o é. Devo ter crescido, devo ter perdido a luz e como não queria que tal acontecesse! Adorava-me! Agora a vida é diferente já não necessito daquele aconchego eminente (ou erramos quando isso pensamos), daquela musica no rádio do carro nos dias de chuva, daquele encontro com o pequeno Igor e das pinturas de Carnaval da caixinha que cheirava a isso mesmo: pinturas de Carnaval. Mas amo-vos intensamente e se amo! Desde os pequenos dias em que lia o livro do ursinho que tinha uma toalha aos quadrados vermelhos no navio (não tenho a certeza se era um ursinho), aos que colocava imans novos no frigorífico até aos que ficava horas a fio perdida no tamagochi que me haviam dado e o qual muito estimava. Agora vejo piscina, aeroporto, comboio, brincadeiras no sofá e cabeça no chão, aquele velho hábito que difere agora na ausência de alcatifa tal como o igualmente provocador de sermões: secar as mãos ao pano branco da cozinha. Fui tão feliz e sou, mas o tempo não volta nunca para trás e nunca mais poderei sentir a grandeza da cozinha nos dias de festa, da noite de chuva, das músicas desse tempo, do caderninho das Spice. E mais, o jardim que vi na primeira vez, o mendigo para quem sorri no metro e que gerou pânico de me raptarem: tão bonita e indefesa era eu de olhos e cabelos claros, menina de seus pais e de seus tudo, aqueles que a conhecem desde bebé e a criaram tão bem quanto os primeiros, mas com mais tempo. E a eles, depois de toda esta angústia de perceber que talvez não seja como queriam que fosse, ou pelo menos não seja como era em criança, o meu MUITO OBRIGADO, porque ainda me orgulho de ser quem sou!

É PARA SER LIDO AO SOM DESTA MÚSICA.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Grená, porque não? Hoje o dia é de avarias mentais


Pode não ser este o caminho, mas a minha individualidade cheia de gentes, é capaz de bastar. Nesta quietude agitada com que consigo dar acção aos verbos que logo deixam de o ser, sinto-os. Distantes, desviantes, devorantes, quiçá? São esses olhos que pouco procuro e raramente consigo encontrar e que confusos e dispersos podem observar-me. Não será este o meu mítico e teimoso erro de ver o que lá não está como quem espera pelo que já passou? Se a poderosa magia existe pode não sê-lo aqui, mas e porque não? A minha racionalidade relativizante será assim tão pouco sensível a estas velhas novidades que as sinta com indiferença? Ou estará a intriga perene do meu eu que emoções mostra, querendo revelar-se mais alto e mais além?
O certo é que esse tacteado hesitante um dia chegará onde almeja, de uma forma ou de outra. Com romanescas e inspiradas intenções e apaixonantes sonhos iluminados ou apenas com sorrisos amistosos de quem dá aquilo que pode. Chegar-não-chegar, olhar-não-olhar, espreitar-não-espreitar por aquele cantinho a que vulgarmente chamamos rabinho do olho, são as ilusões eminentes daquilo que vai preenchendo lacunas que ambos sabemos completar.
A perfeita sintonia que em momentos de devaneios consigo conquistar, sozinha ou não, por aquilo que tenho vindo e posso vir a receber, mesmo que de poucos e pequenos bens se trate.

E agora, hein? Inspiração ou exposição? Caros leitores que por norma são as pessoas que se metem na minha vida e a que costumo chamar de amigos, entendei-vos com esta mensagem que fala de entrelinhas do destino, entrelinhas essas que podem tentar entender, se eventualmente e teimosamente existirem.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Noite Dourada


De fora apenas se via a janela, no primeiro piso, é capaz, dourada, tépidamente iluminada, recheada de mesas simples e de bom gosto, luxuosamente reuqintada de pessoas, altas pessoas desse alto primeiro andar, que disfrutavam de uma qualquer refeição, jantar, sim era jantar. Uou! Excalmei eu. Quatro estrelas! Que máximo! Observei por momentos a porta, a transparente porta que comunicava com a recepção, confortável, igualmente bonita, moderna, quente. Simpática, parecia simpática e era convidativa. Almejei um dia lá ficar, quiçá numa loucura aventureira? Depois de ter descido o Parque, e atravessado acho que já mais de metade da Avenida, de noite, claro, já quase nada mais poderia juntar magia ao passeio ao qual o tempo deu tréguas. Mas dois passos à frente, lá estava ele. Comodamente imóvel, apreciando também ele a agradável noite e muitíssimo bem vestido de cartões, sob os quais dormitava deitado no chão. Muito bem acompanhado da a sua garrafa de vinho, companheira de longa data, atrevo-me a dizer. Mas que é a única capaz de olhar por ele na solidão. Se teria fome? Provavelmente. Mas as altas pessoas do primeiro andar não. Mergulhado numa imensa núvem cinzenta, não me foi possível ver-lhe a cara. Se calhar também não quis, envergonho-me muito por isso, por não ser quem desejaria ser. E discretamente lá estava ele escondido. O sem-abrigo, o vagabundo, o marginal, aquele que não vive porque não pode, ou porque não quer na minha sociedade. Não, não estava escondido, estava lá para quem visse. E vive, vive na minha sociedade se não eu não o via, se não não me indignava este contraste de dois passos, se não não haveria a luxuosa refeição iluminada, a que o escuro e magro e solitário homem sem casa não pode aceder, porque à minha sociedade nem eu sei se pertenço.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A Cimeira da Apatia Azul


Não sabem há quanto tempo já andava para vir aqui escrever isto. Sou uma vergonha, estou de férias e não escrevo, é um facto... Tinha um dossiê para fazer sobre a Cimeira de Copenhaga, era um assunto que me interessava, mas ainda não tinha percebido que resultados tinham sido obtidos (talvez porque não foram quaisquer resultados obtidos), então, como sou um génio, descobri um site do Jornal de Notícias que tinha notícias actualizadas sobre a cimeira, em várias partes do dia. O que é que a esperta da Joana Catarina fez: toca de as compilar, e depois quando me apetecer que leia! Passaram-se dias e nada de ler aquilo, li até metade e até estava atenta (são 13 páginas a tamanho 10 de Times New Roman!), continuava pensando que quando acabasse de ler aquela matéria que muito me seduzia, escreveria o post. O facto é que ontem, vi um debate na 2 sobre o assunto e fiquei muito mais esclarecida, escusado será dizer, que embora depois tenha lido o resto, não faço a mínima ideia do que lá consta...


Devaneios à parte, o que interessa é que acho que esta gente ainda tem muito para aprender sobre governar o Mundo (como se fosse função dos Homens o governar!). O objectivo da cimeira era encontrar um acordo que comprometesse os países a não permitir que a tempreatura subisse mais dois graus acima da verificada na era da revolução industrial.

Mas daqui resultou que, já não se queria procurar aspectos para agarrar no Protocolo de Quioto que acaba em 2012 (I think), e que estabelecia metas para a reduçaõ da emissão de CO2. Após reinvindicações da União Africana, lá tentaram discutir este assunto, mas o protocolo ficou, claro, sem nenhum seguidor.

A cimeira foi como que um jogo entre dois blocos China e EUA, segundo algumas fontes. EUA mostraram vontade de mudança e participação, mas nada muito claro, pois a defesa de Obama remeteu-nos para o "Comité dos Representantes"? (talvez seja outro órgão) que não permite que algo seja aprovado sem dois terços de votos a favor ou algo parecido. China por outro lado, apoiada pelos países em desenvolvimenrto, alegava que tinha também o direito de se industrializar. O que me consta também é que a China, assumindo-se país desenvolvido nalguns aspectos, quando precisa de tomar responsabilidades, refugia-se no conceito de país em vias de desenvolvimento.

Para a Índia por exemplo, os países ricos, responsáveis por a actual situação, devem ajudar financeiramente os mais necessitados, E ficou estabelecido que se criaria um fundo para financiar a tecnologia ecológica dos países mais pobres. No entanto a cimeira estava a terminar e não havia nada palpável. Era um seguimento de discursos e não podia. Era necessário tomar decisões.

Tal não aconteceu em termos de compromisso e advertências. O acordo foi "anotado" e ISTO PARA SALVAR O PLANETA NÃO CHEGA!


Não tiveram tempo de tomar decisões em duas semanas... quanto tempo mais precisarão quando já não houver mais tempo?!


O FUTURO DO MUNDO NÂO PODE ESTAR NAS MÃOS DE QUEM NÃO DÁ PROVAS QUE O PODE MUDAR!



"o nosso clima, não o vosso negócio" GREENPEACE

sábado, 12 de dezembro de 2009

Os dois Cinzentos Passos que agora são três e Mais Claros

Pesoas, pessoas e mais pessoas. Cada vez mais e cada vez mais longe. Longe sim, e não vou até lá. Não vou não. Recuso-me! É sempre assim e sempre assim foi... aquela distância de dois passos que podes percorrer para a mim chegar, desta vez, não a vou percorrer. Tanto, tanto que já vivemos, tanto que já confiámos, tanto que já encontrámos... e agora nada, as maravilhosas conversas de cheiro a gengibre lá ficaram, na casa dos caramelos e batidos com os livros na varanda, na casa do terraço grande e dos cereais com leite frio... e o pior é que não notas a verdadeira importância desses dois passos, que podem ter cada vez mais pedras, ou mais buracos e até embondeiros, quem sabe? Para ti são só dois passos de distância, e porque não dá-los eu? É sempre assim e sempre assim foi... E quando inevitavelmente nos encontramos nessa densa floresta, ou no deserto árido vês-me como dantes. Mas o dantes já passou e o outrora é agora presente, e as conversas de cheiro a gengibre não habitam mais nesses encontros ocasionais. Mas cada vez mais os dois passos parecem três, e quatro... e nesse mítico caminho tu consegues ver-me perfeitamente, o que talvez não passe de uma miragem, causada pela sede que tens do passado e que perpetuas para o futuro. Para mim não pode ser assim, a ponte enfraqueceu de mais, não me regaste como devias, por isso seco agora. Mas não quero dar aquilo que não recebo, e bem sei que não me procurarás. E aí, quando sentires cheiro de gengibre em outras chaminés que não as nossas e de batidos de fruta em outros terraços, consigas entender o espaço que cresceu e o percorras para me buscar. Se não, é porque de nada valeram e, o teste é bom. Se ao menos fosse corajosa para o fazer... mas a minha amizade é tão forte que, pelo menos, pelas pernas traçadas à chinês com os pés descalços no chão frio, e pelas saudades que disso tenho, eu continuo a alimentar-te a miragem que de mim vês e contemplas, mesmo sem conhecer.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Leve Brisa Azul da Noite


Cheiro a ti.
E o perfume que em mim
fica e que de ti é,
é profundo e intenso,
porque de ti assim é.

Quando por vezes te sinto,
é pelo teu perfume
que sonho e tremo,
e quase cândida fico.

É a saudade que de ti tenho
que assim me deixa,
a vontade de te ter perto
mas de longe estar e a vontade
de bem de perto cheirar,
aquilo que me podes dar.

Apenas o perfume tenho
e com ele me contento,
basta para aliviar
a ânsia que me não
leva o vento.

Mas depois tudo se mistura,
floral, doce, suave ou frio.
E aqui se perde o meu nariz,
nos pensamentos que teus
Poderiam ser.

E lembro-me de outras eras,
de histórias e lugares.
E pessoas facilmente me invadem
com perfumes que outrora conheci
mas de perfumes não me esqueço
e não me esqueço de ti.

Desejava mesmo
era poder ter-te a ti
e o passado que vivi.

Cheiro a ti e é bom,
porque contigo posso estar
e sinto que pertenço
verdadeiramente a um lugar.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Palácio de Magenta Amor


Outrora corríamos pelos corredores, largos, fundos, sob um céu de sonhos ondeantes, esculpidos por gente grande e escondia-me na alcova real, de mantos rosa de veludo e de desejos dourados, de paixões espelhadas e encontrava-te depois coberto pelo cortinado de seda azul da noite, envolto em mistério, no mistério que me seduzia e nos jurava amor. Passávamos a sala de rompante e tropeçava no sofá, nas caneladas do destino, e sabia de certo, que, desatenta, iria de novo contra algo, mas não parava, e tu corrias atrás de mim, apenas paravas com medo de fazer as porcelanas cair, mas depois continuavas, e seguias-me até ao quarto dos infantes. Subitamente aparece o mordomo, paramos, coramos, continuamos a ver. Ele passa e entramos, agora sim éramos iguais, ambos crianças, simples, que no meio da ingenuidade traçávamos futuros, e no meio dos livros de histórias de encantar que narravam histórias de reis e rainhas, príncipes e princesas, condes e condessas, adormecíamos no tempo. Investes, e eu fujo, para a cozinha, agora. Passas a mesa, eu pego na frigideira, pesada, tem a força do nosso amor, ias levar com ela, mas simplesmente me abraças e a carregas. Põe-la no lugar e agarras-me. Até hoje. Espera!, disse eu, e o terraço? No terraço vivemos agora, com as rosas da fina diplomacia, e as giribérias que a mim lembram alegria. Com os cravos, e as dificuldades, e as túlipas e os amigos. O Sol sempre raia lá em cima, e no banco nos sentamos a contemplar a vida, as heras trepam pela parede como o nosso amor que cada vez cresce mais, e o perfume? Esse acende-nos a paixão e move-nos na vida.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Esvazia-se no Cinzento


A minha stôra de Português diz que "A saudade não tem tradução. Podemos traduzi-la, mas a saudade portuguesa não é como as outras." Sempre me pareceu um bocado duvidosa esta afirmação, já a a havia ouvido de outras bocas... mas se calhar é verdade. Relativisando o assunto, podemos ver que desde os descobrimentos, a separação de famílias tornava evidente a saudade, este sentimento de falta, de angústia, de querer estar e não conseguir, de querer tocar e apenas ver o vazio... Mais tarde com a emigração, a busca por uma vida melhor que separava tantas casas e, a guerra, a guerra que trazia a incerteza do regresso a casa. A ausência doi, mas não saber se haverá a possibilidade de novamente voltar a ver uma pessoa, magoa e fere muito mais. Sempre fomos um povo sofredor e somos, excessivamente, quentes. Quentes, acolhedores, próximos... e assim nota-se muito mais a ausência.

A saudade é algo que me invade muito, quando estou mais frágil ou quando me fragilizo com ela mesma.A minha estabilidade é posta em causa quando alguém sai da minha vida, ou quando há essa possibilidade. Não suporto a dor de perder alguém. Quero tudo assim, tudo igual. Ver-me longe de alguém que amo, é uma questão que nem consigo evocar, mas às vezes, a realidade evoca-a por si própria e aí tudo desmorona. Mas há que viver com isso, e nunca cair na ilusão e na esperança de que as partes de nós que por aí circulam, sabem que os amamos verdadeiramente.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Chocam-me de uma maneira Laranja Berrante

Só tenho a dizer, que 40 % de abstenção é uma vergonha.
De que valeu Salgueiro Maia pôr a vida em risco e o professor B. lá da escola ter atracado em cima daqueles tanques em Abril, se ninguém agora quer decidir por si?
Abstenção de 16% em 1976 e agora isto?
Faz falta sentir-se o sabor da liberdade, faz falta pensar. Tudo rouba a intelectualidade humana e a ocupa com actividades desnecessárias. E assim, tudo pensa pelas pessoas e as pessoas deixam de pensar. Opinião, não sabem o que é? Opinião é o que tenho porque penso, porque uso o cérebro. Como pode gente hipócrita não escolher e queixar-se depois?
Consequências de quando não se escolhe. E deviam ser mais graves do que são. Só para aprenderem.
Voto em branco é sempre protesto.

É verde, mas eu gosto


Citadina até mais não. São raras as vezes em que pensamos sobre o que somos. Eu sou uma miúda da cidade, e ninguém o pode mudar, nem eu mesma. Acho que a cidade nos mima e mal habitua. Posso ir ao cinema quando quero, onde quero, com quem quero. Tenho-o a dois passos. Tenho tudo à mão, lojas, restaurantes, livrarias, perfumarias... até a linha de metro, que tantas vezes me carrega. Posso ir para onde quero, quando quero, sem satisfações nem complicações. Eu entro e ele, o metro, leva-me. Para longe, para perto. Até para onde eu não quero ir. Mas leva. E aí, toda a dependência que me possa prender desaparece, vou para onde quero. Quem me impede?

E vou para Lisboa, por exemplo. Dantes Lisboa não era importante. Dantes Lisboa era comércio e serviços. Mas agora não. Lisboa é Lisboa. E descobri que é linda, que é verdadeira a beleza do rio e, que poucas serão as cidades dotadas de tanta fantasia que a história lhes confere. Imaginem, todos os recantos. Todos os passos cujos recantos foram espectadores. As personagens. As causas. E o rio? O rio que para mim, apenas era a ilustração da longa e interminável estrada que conduzia à praia nos dias de trânsito caótico, agora é mais do que isso. É o Rio da cidade. Aquele que sabe tudo. Nada acontece sem por ele passar. Nada se fala sem ele saber. E a cidade ele beija, e abraça. E protege. E, agora, aquele rio que dizem ter-me sido mostrado muitas vezes, faz lembrar-me quem sou, e de onde sou. E é esse rio que tenho em comum com todos os que habitualmente me constróem.

E continuo a ser a princesa da periferia, mas ao menos, conheço o Rio.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Puras Justificações Brancas

E sempre que te vejo fico assim, esquisita. Acho que é a vontade de querer mais e não ter. A vontade de te querer ver mais. E saudade, saudade sim. E, já que nunca vou ter coragem de te dizer isto na cara, escrevo aqui, pode ser que, de uma maneira ou de outra, esta informação chegue até ti.
Eu tenho necessidade de conceptualizar, de rotular, de definir. Neste caso, preciso de organizar o que realmente sinto por ti porque, mesmo que já ninguém deseje saber, eu acho que me tenho de justificar, nem que seja, a mim mesma.
Primeiro que tudo, devo dizer que este tipo de coisa que por ti nutro, até a mim me parece ridícula, por isso não censuro quem o ache também, nem mesmo tu. Mal falámos, pelo menos, de coisas profundas, e nem sequer convivi contigo num grande período de tempo, daí a tal “estranhez” desta coisa. No entanto, sei perfeitamente a tua opinião sobre mim, e tu próprio mo disseste e, mais tarde, quem te era mais próximo o reforçou. Talvez por isso, talvez por saber que confiavas em mim, que me valorizavas… não sei, acho que passo tanto tempo a tentar ser perfeita, que quando alguém repara, fico estonteante. Tu reparaste. Provavelmente estou mal habituada e terá sido essa a razão do meu “gostar de ti”. A partir daí, passaste a ter carta branca para todos os teus erros. Tinhas o meu apoio incondicional, mesmo se não o merecesses.
Neste seguimento, muitas das questões, prendem-se com este mesmo “gostar de ti”. Não era paixão, isso nunca: paixão envolve desejo, é carne e não era esse de todo o meu sentimento por ti. Amor? Não, pelo menos no termo em que o conceptualizamos. Nunca almejei qualquer quadro romântico, não, nunca, pelo contrário. Acho que o que eu queria era uma relação de irmãos, e aqui entra a parte ridícula, acho esta relação, racionalmente injustificável e despropositada. Mas é nesses mesmos termos, racional, adjectivo que por vezes não me caracteriza. Sou sonhadora e acredito em utopias. É verdade, todos temos as nossas falhas.
Tenho uma irmã, mas nunca me dei muito bem com o meu pai, acho que necessitava/ necessito de um elemento masculino mais acessível. Acho que foi isso que encontrei em ti, queria uma relação de confidência, percebes?
Ter um melhor amigo com quem podia contar.
Expressei-me mal algumas vezes, é certo. Fui mal interpretada, se calhar com razão. Mas nunca fui muito boa a joguinhos. Acho o deixar surgir da espontaneidade tão mais simples… Talvez tenha sido esse o derradeiro erro, e aquilo que não chegou a acontecer acabou ali. Houve um corte quando me precipitei, quando confiei na inexistente compreensão dos meus actos.
Ainda assim aguardo, estupidamente, por um regresso. E pelo feliz findar dos meus planos. E pelo brilho nos teus claros olhos. E, por isso passo mais atenta junto ao teu trabalho procurando por esses teus olhos, e por isso estou constantemente à procura de algo nos locais onde passas, e por isso olho sempre para dentro de todos os carros iguais ao teu, esperando que de lá saia o teu olhar e o teu sorriso. Se algum dia leres esta informação de carácter explicativo, saberás que és tu.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Mais um para a colecção de Cores


Ah ya, esqueci-me de dizer: fiz dezassete anos!


Não é qualquer um, hein.


Rodeada de metáforas, comparações e hipérboles que ocuparam a minha vida, tornei-me uma quase adulta da qual me orgulho. Sinto, respiro, vejo e faço. Por agora chega.

Consciencialização Encarnada-Atrevida

-Sabes quando te vais meter numa alhada, mas mesmo assim queres ir em frente?
-Sei.
-Sabes quando provavelmente, a única coisa que te vai restar no fim da aventura, são ilusões desfeitas, por quem nem sequer sonha que tas desfez, mas mesmo assim experimentas?
-Claro que sei, e tu também sabes. Não é?
-Sabes quando tu achas que estão a acontecer coisas, que tentas negar, mas que no fundo acontecem e tu finjes-te despercebida, mas a verdade é que queres subtilmente pedir explicações.
-Sei e tu já devias ter aprendido que não vale a pena pedi-las.
-Sabes quando tu, já por experiência sabes que não vai dar em nada, mas mesmo assim acreditas utopicamente num bom resultado, aquele pelo qual esperas desde sempre?
-Sei ainda mais, sei que tu vais subtilmente fazer isso tudo e no fim, continuarás a esperar. Tal como ainda fazes.
-Sabes quando vês o passado no qual ainda confias e vês o futuro no qual tens medo de avançar, mas um bichinho na barriga diz-te para deixares correr o presente?
-Sei, e sei que depois do teu atrevimento, ficarás à espera dos dois eternamente.
-Mas hoje passou o passado, e eu parva, por muito que saiba que ele não volta, continuo a visualisá-lo no futuro. E este presente, este presente logo se vê. Mas eu cá não empato!
-Sei que tu gostas de confusão, e que vais esperar para ver, quando devias assistir na plateia e não no palco principal.
-Sabes quando achas que é outra missão, não sabes?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

"Ficas tão rosada depois do jogging!"


Começo a medo entre empasses, tentando atrasar o inevitavel. E dão o emporrão e inicio a corrida. Devagar, com pouco entusiasmo, mas depois com força, de vontade pelo menos, um, dois, três passos acelerados. E já está. Corrida contínua como eu gosto, sem desníveis nem arritmias. Constante. Agora já não paro. Não desisto, não troco, não me alio ao vai-vem. Mas passado algum tempo o corpo começa a ceder, as forças falham quando é necessário amparar uma queda no destino, uma queda minha. E recorro novamente à força, posso motivar-me em ti, ou em ti, ou em ti, ou mesmo nela, ou neles. Mas a minha motivação nem sempre é segura e é tarde quando disso me apercebo. Mais enfraquecida fico. Mas não paro. Não sou miúda de parar. Por mais que não seja para mostrar o que valho. Ainda assim, quando consigo aguentar o cansaço muscular, começam os pulmões a pedir mais, e mais, e mais. E eu respiro, muito. Insiro, inspiro, inspiro, mas mal expiro. Tudo entra e não sai. Como às vezes desejava poder expirar mais e respirar devagar, oxigenar o sangue? Mas não. è uma aflição tão grande, uma necessidade de morte em encher, mas esvaziar custa. E quem corre comigo tem de saber ensinar-me a respirar e tem saber que não estou a deitar fora e tem de saber aliviar a minha dor. Aí chega o momento insoportável, aquele em que as pernas já não correm, em que os pulmões já não se enchem, em que paro. O momento de parar. E paro, fico pelo meio, terei já cumprido os meus objectivos? Os outros continuam mas eu não. E que mal há nisso? Houve gente que parou antes de mim.

E amanhã começo de novo.

A minha vida nada mais é que um jogging de sentimentos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Subjectivismo da Sabedoria Azul


"Franklin sabia pelos dedos dos pés contar, e os sapatos apertar"

Fazendo um balanço da minha estadia na Terra, contraponho o que já sei e o que me ainda é desconhecido.

Sei que a Terra gira em volta do Sol e a sua temperatura média são 15º, sei que já houveram duas guerras mundiais, distintas entre si, mas semelhantes na inutilidade, sei que Bill Gates é o fundador da Microsoft e Pasteur descobriu a penicilina. Sei que o CFC's contribuem para a redução da camada do Ozono, que o valor de Pi é aproximadamente 3, 14 e o Teorema de Pitágoras se traduz pelo quadrado da hipotenusa ser igual à soma dos quadrados dos catetos, num triângulo recto. Sei ainda que o coração tem duas aurículas e dois ventrículos e que Jonh Locke defende o Empirismo. Sei que Eça de Queirós escreveu "Os Maias" e "A Tragédia da Rua das Flores", sei que D.Pedro nunca mais foi o mesmo depois da morte de Inês e que Picasso pintou "Les Demoiseles d'Avignon".

Mas sei ainda que a D. Luísa quer sempre uma tacinha de vinho natural, e o Sr. Madamas come sempre com uma faca de serra, sempre. Sei que o Sr. Armando não se lembra do que comeu ao almoço, mas sim do que viveu na Índia há algumas décadas atrás e sei que a D. Prepétua só bebe café com adoçante e que a D. Odete adorava quando eu reparava que ela tinha ido ao cabeleireiro. Sei que o Sr. Rita gosta da bica curtinha e não come arroz porque comeu muito na tropa e que a D. Lucília fica envergonhada quando a tentam juntar com o Sr. Madamas. Sou das pessoas, sou uma pessoa por ser das pessoas.
Tal como o Franklin, sei uma gigantesca quantidade de coisas simples pertencentes ao meu espaço ao meu tempo. Coisas que dão mais alegria aos dias da multidão que me envolve, ou que, pelo menos, a podem fazer sentir melhor.

Ainda me falta aprender muito. Muito sobre a física, a biologia, a história, a geografia, a língua, a matemática...

E muito, muito sobre as pessoas. Sobre ocupar um espacinho nesta sociedade que pode muito bem ser familiar, se assim a concebermos. O que mais almejo é o dom da Palavra, talvez já não esteja tão longe assim...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Sim ao Azul, Sim às bolas Amarelas, Sim aos Sóis Verdes-Claro


Há daqueles dias em que tudo é bom. Dias em que sorrimos e zangamos, falamos depressa e amuamos. Dias com ou sem coisas menos boas, que escapam à inteligibilidade humana.
Dias em que ouvimos críticas e não protestamos, em que gentes nos corroem todo o juízo como abutres em volta da carne e nós desprezamos e dizemos “está bem” a tudo, em que nos querem fazer inferiores e nós não deixamos.
Dias em que todas as músicas de rádio são ouvíveis, dias em que todas as notícias são boas, ainda que descanse o Mundo em paz e o céu nos visite e o mar abrace meio planeta, ainda que as areias dos desertos dancem baladas até terras mais longínquas e o gelo dos pólos possua a liberdade, dias em que o não nos soa a sim e as perdas se transformam imediatamente em ganhos.
Dias em que nada nos incomoda e tudo nos satisfaz. O vento não despenteia. A água fria não salpica. O calor não nos faz suar. Os animais não nos amedrontam. A energia não nos cansa.
Dias imprevisíveis, irregulares, e extremamente felizes, em que o Mundo gargalha connosco.
Dia Sim! Hoje é dia Sim. Amanhã sê-lo-á também: “certezo” nisto!
Há e haverá um Sol e uma Nuvem, mas nos dias tais, sentamo-nos na núvem e encharcamo-nos de sol.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Aquela Hipocrisia do Mundo Rosa


Falta-me coragem. Mas irrita-me esta cobardia. Irrita-me que gente viva assim e que eu nem consiga olhar. Irrita-me que gente viva assim e que a única coisa que eu faça é chorar. Irrita-me que gente viva assim e que a única coisa que me aconteça é ter pesadelos. Irrita-me, chateia-me, angustia-me.
Para uns são só os ”pobrezinhos de África”. Mas não são. África é já ali. E como podem ser tão frios? É uma realidade. Os pobrezinhos? Não são pobres, são sobreviventes!
Como é que é possível que pessoas, seres humanos vivam sem comida, sem água, sem casa… sem família. É verdade, nós lutamos, fazemos birras, zangamo-nos por roupas, por passeios, por jogos… eles nem dinheiro têm para comer, nem dinheiro têm para ir à escola. MUITOS COM A MINHA IDADE E MAIS NOVOS, NEM PAIS TÊM!
Mas eu não queria fazer este discurso. Já toda a gente o sabe. E é um discurso cínico, irritantemente cínico. Porque ninguém faz nada. Porque eu não faço nada! E porque raio é que eu não faço nada, se sei que há coisas para mudar?
Sei ainda que provavelmente nada farei depois deste discurso. Mas é um facto, eles existem, eles não têm casa, eles não têm comida, eles não têm água.
E nós? Mas, posso tentar recolher-me à minha sensibilidade cínica ferida e, pensar que já não é mau se, ao nos consciencializarmos, passarmos a dar menos valor aos materiais e a dar mais valor ao que mais valor tem. Mas isto também é muito bonito e, mais uma vez, extremamente cínico.
Sinto-me uma miserável ao saber das coisas a que dou valor e ao saber das coisas com que eles vivem. Mas isso não lhes serve de nada. Servia-lhes de alguma coisa se, em vez de me sentir miserável, eu mexesse uma palha por eles.
Podemos tentar ser menos consumistas.
Mas o que eu queria com isto, é que, fujamos ao cinismo e à hipocrisia e consigamos ter alguma ideia de aquilo em que podemos ajudar, mesmo com o pouco que podemos. Podemos ajudar, o Mundo somos Nós!

Menina de Coração Branco


Era uma menina traquina
E, que, mesmo um pouco varina,
Conseguia o que queria,
Sempre pela simpatia.

Era uma menina que todos gostavam
E que até presenteavam,
Pela sua honestidade e sinceridade,
Alegria e acessibilidade.

Mas um dia essa menina caiu,
Porque muita gente viu
Como a menina sorria
E brincou com a sua alegria.

Foi aí que no escuro se escondeu,
A menina que o Sol conheceu,
Mas para o qual nunca mais olhou
Com medo de quem a magoou.

E agora peço à menina traquina
Que volte à antiga rotina,
Para que eu, com o seu amor,
Aprenda a acabar com a dor.

E sei que vai ser igual,
Num contínuo Natal,
Em que a menina faz o bem
Sem olhar a quem.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Teorias Azul de Sabichão


Porque é que as mulheres vão sempre juntas a casa de banho?
Ora bem, a pergunta que tem, durante séculos, perturbado as mentes masculinas tem uma simples razão de ser. Todas as mulheres vão acompanhadas à casa de banho por pena, é isso mesmo!
Pena, e ai de quem o não admita! Tenho argumentos muito sólidos.
Vejamos. Está um grupo de amigos, rapazes e raparigas sendo que uma tem vontade de ir fazer xixi e, dirigindo-se para as raparigas: “Tenho que ir à casa de banho, quem é que vem comigo?” E, prontamente, mais do que uma se disponibilizam.
E, no caminho, vão a comentar: “Epah! Agora estão a roer-se por querer descobrir porque vamos sempre juntas à casa de banho…”
Entretanto, eles avançam com hipóteses: “ Quando chegarem já lhes pergunto - quem limpou quem?”… “Mas que raio escondem elas que têm de lá ir sempre juntas?”… “Eu acho que é para se consolarem, de angústias.”
Quando elas voltam: “Então falaram muito bem de nós? Nós sabemos que somos todos bons mas podem dizê-lo a nós!”
Elas, à parte, “E depois ainda perguntam porque vamos… é para os vermos felizes, ficam todos convencidos sempre que nós lá vamos! São mesmo tontos”.

Porque é que os pais não gostam de centros comercias?
Esta resposta é lógica. Todos os pais se desculpam com o facto de não gostarem de esperar, não gostarem de ver lojas visto serem são muito machos… e não gostarem de esperar, porque as filhas demoram horas a escolher roupas…etc, etc, etc.
A verdade é que têm medo dos seguranças, isso mesmo. Todos aqueles músculos e, aquele mover de ancas para um lado e para o outro, com aquele intercomunicador que lhes confere uma voz sexy… Não! Não! Não é deles, é de duvidarem da sua virilidade!
E, pronto, é esta a teoria.

Porque é que os homens engordam quando casam?
Todos os homens engordam quando casam porque… e aqui vai bomba:

Deixam de ser obrigados a comer o peixe cozido com bróculos que a mãe lhes fazia.
É isto.

sábado, 20 de junho de 2009

Retórica Socrática Vermelha


Podemos não gostar das suas decisões, do seu modo de ser, das suas acções e, até mesmo, dos seus ideais. Podemos, inclusivamente, não gostar da sua postura ou da sua presença.

Más temos que reconhecê-lo como um bom político... muito bom político, um dos melhores, ou o melhor da actualidade portuguesa... por algum motivo "está onde está". Sócrates. ("Alguém falou em Sócrates?" [muito Gato Fedorento] ).

Toda a sua retórica quase me convence daquelas coisas que não me convencem. E eu conheço as minhas capacidades de seleccionar informação... mas muitos não são tão capazes de o fazer. Acho que já tinha aqui escrito algures, que o melhor aliado do poder é a ignorância dos seus súbtidos. Tirem as vossas conclusões...

Sócrates tem o dom da palavra (independentemente do termo a que o conceito se aplique), característica que admiro muito, consegue virar sempre o jogo a seu favor e, mesmo quando o estão a atacar, continua a fazer campanha e a "ad misericordiar" um bocadinho com as coisas que lhe "ferem a sensibilidade". Mas com estas e com outras vai angariando os votos daqueles que até estão chateados, mas que ao ouvi-lo começam a "perceber a sua perspectiva".

Eu reparei nisto no outro dia, na sua entrevista. Tive pena de não a ver toda, mas estava (supostamente) a estudar geografia para o exame (que já foi!). Mas deu para perceber que, ele passou a entrevista a fazer campanha e que, ou a jornalista era a sua melhor amiga e nós não sabemos, ou não o conseguia atacar.

Enquanto não vier um melhor, contentamo-nos com este, bom ou mau, é o que há.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Um brilho Azul (pah se calhar é verde, mas acho que não)


Parece que a minha projecção de futuro não se desmoronou, parece que ainda tem alguma continuidade, parece que consegui ver de novo a luzinha ao fundo do túnel. A Luz dos teus olhos, e, ai, se soubesses o sorriso que tenho nesta cara de parva ao escrever isto. Para mim já tinha acabado, estava feito… isto é, desfeito. Mas admito que, provavelmente, sempre tenha acreditado num reencontro “à antiga!”.
Pensei que tivesses mudado, que estivesses como todos diziam que estavas, que estivesses como eu própria tinha sentido, mas que nunca tinha revelado… mas não, pareceste-me tão como eras outrora, pareceste-me tão próximo, tão conhecido… Os teus olhos tão puros, o teu sorriso tão livre, sem farsas.
Eu sei, muito provavelmente foi um dia bom, alguma réstia de saudade e talvez estejas tão partido como me havia apercebido. É a realidade. Mas não, com certeza que já não estás rodeado por aquela mancha meia sombria que te consumia. Eu espero, eu acredito.
E não quero saber do que os outros dizem ou não de ti, eu nunca ouvi nada e não ouvirei até deixar de acreditar em ti, mas não quero que isso aconteça. Acredito em ti. Na tua pessoa, no teu coração, na tua alma.
Eu precisava tanto de demonstrar como estava feliz, nem que seja nesta pequena ilusão.

Ah! Parece que o PSD ganhou as europeias, mas pelo que ouvi, nenhum dos partidos fez uma grande campanha relativamente à Europa. Eu sinceramente não tomei muita atenção.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Sufocas-me Cinzentamente


Não sei o que sinto. Não sei por quem sinto. Não sei porque sinto. Não sei como sinto. E nem sequer sei quando sinto.

Mas sei que sinto.

Sei que me irrita incessantemente essa tua insolência , sei que me irrita ainda mais, ser incapaz de to dizer, e que me mete raiva estar cada vez mais acorrentada áquilo que não queria sentir, estar cada vez mais sufocada por aquilo que me prende a ti, e ser tão, mas tão impotente quando me falas.

Sei que sinto vontade de te bater. Sei que sinto vontade de te acordar. Sei que sinto vontade de estar contigo. Mas não quero! Essa tua inconstância, esse teu querer-não-querer, esse teu descaramento camuflado.

Tudo me chateia como um dia ventoso que me despenteia e não me deixa ver. Mas tudo me faz querer mais de ti como o próprio dia ventoso que me manda a brisa que me refresca e me faz sentir livre. Mas tu fazes sentir-me presa, presa a uma coisa que não tenho, que não quero ter, ou que não gostava de querer ter. Presa a esse teu despenteado emocional.

Mais valia partir as correntes... mas não consigo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O Mundo do Azul Bebé e Rosa Claro

Crianço e gosto de criançar. É verdade, crianço com frequência. Porque, por muito que cresça, felizmente, não me desprendo daquele fiozinho de nylon que me liga à infância.
Tento acreditar… e acredito… ou finjo que acredito para não me chatear. Ingenuidade, é capaz. Mas não sou tão ingénua assim, o que é bom.
Tento ser sincera, mas ainda me falta muito para assim me poder considerar. Não gosto de magoar, o que é bom. Sim as crianças sabem quando magoam.
Mas e, se todos mantivéssemos o fiozinho de nylon? Todos seriamos espontâneos… o meu sonho é viver num mundo espontâneo, queria acreditar nessa possibilidade, é verdade, mas a fragilidade do meu fiozinho começa a não permitir que eu acredite em tais utopias.
Mas seria, realmente bom: Um mundo como o das crianças (algumas) em que se dissesse o que se pensasse, em que não se jogasse com sentimentos, em que se deixasse as correntes da imagem e o bichinho do poder. Um mundo melhor, em que mostrássemos o que realmente somos.
Mas não, não aprendemos com elas. E ainda há quem diga que são infantilidades. Opiniões… mas não me convencem.
Não é preciso ter mais que… ou parecer mais que… as crianças são genuínas e eu tento ser como elas. A cultura das aparências e do poder influencia-me, é verdade, mas não me sinto realizada ao vê-lo acontecer. Não, não me vou render… nunca me renderei.
Eu cresço e evoluo e amadureço e cresço, mas quero continuar a usar a filosofia das crianças. Com peso e medida, todo deveríamos criançar. Eu crianço e hei-de continuar a fazê-lo.

domingo, 24 de maio de 2009

Xico-Espertice Verde, Amarela e Vermelha

E assim que se sentam: CLIC!
( Muito alto e sem se perceber metade das palvras - são nortenhos e falam todos da mesma maneira porque nasceram da mesma barriga)

"-AH eu comprei um carro novo: Um Mercedes!
-O meu ainda não deu problemas, consigo andar a 200 à hora!
-Olhem o meu não é Mercedes mas é como se fosse sobe uma inclinação na (e agora é a mudança espectacular que mais nenhum carro consegue faszer mas que eu não sei qual é).
-E eu daqui até à terra demoro duas horas e meia!
-Eu demoro duas!"

E eu digo, então e fazerem uma corrida até Marte? Não?

(Mais tarde)

"Eu ontem fui a terra!
Ah eu fui lá no mês passado.
Olhem eu estou lá com os pais de dois em dois meses.
Ah eu só não vou porque não posso, mas quando puder..."

Mas e quem é que disse que os queriam lá na terra?

"Aichhh eu ontem vendi 500 pastéis de bacalhau!
E eu? 400 empadas!
O meu bolo rei, se mais tivesse, mais vendia: 700!
Mas nada bate o meu caldo verde: tumba tumba tumba sempre a sair!

Olhem, pra mim é só um café e um copo de água! Brigada!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O Sorriso desses teus Lábios Rosados


Sorrio

e pensas que estou bem

sorrio

e acho que o posso estar.


Sorrio e escondo

Sorrio e omito.

Sorrio,

para não saberes.


E por muito que não queira,

sorrio.

Por muito que me magoe,

sorrio.

E não deixo de sorrir.


E tu consegues ver a luz,

e pensas que estou bem,

porque eu sorrio.


Sorrio para saberes que sou eu,

e não quero sorrir.

Mas sorrio.

E tu sabes que sou eu,

e pensas que estou bem.


Mas, por muito apegada, ao rótulo

de sorridente, que eu esteja,

nem sempre me apetece sorrir.

Mas sorrio,

porque sim.


Sorrio porque sei que

pensas que estou bem.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Cravos Vermelhos vs. Lápis Azul


É um facto, foi 25 de Abril.


Todos o adoram, porque não trabalham, porque não há escola, porque talvez o patrão dê fim-de-semana prolongado ou deixe fazer ponte... (este ano até tiveram azar porque calhou a um Sábado!)

Mas e o feriado é porquê? "Ah foi uma Revolução que tirou o Salazar do governo." Muitos responderiam.

Mas muito pouca gente se dá conta da importância que teve. E falo mesmo pelos jovens que, não tendo vivido naquele tempo, não se dão conta do que significou. Eu também não vivi naquele tempo, antes de o Salazar (grrr) cair da cadeira e antes do Marcelo Caetano ter fugido de Portugal. Mas sei o que trouxe: Liberdade.

Algum dia, naquele tempo, poderia eu dizer que, deixa cá pensar... "o sistema de ensino português carece em muitos aspectos" sem codificar isto para "os jovens de hoje em dia não sabem das coisas da vida"? E sabe se lá se a mãe não me teria de ir levar um bolinho a Caxias...

Gente, não percebem que dantes nem se podia abrir a boca?! Acordem para a vida, cultivem-se! Não podemos deixar passar o "tal feriado" como se nada fosse. Isto acontecia há 35 anos atrás!

Todos nós aprendemos sobre isto na escola, mas a teoria da escola não implica que se saiba realmente o que aconteceu e, sinceramente perde um bocado a emoção que tem quando é contado por avós, tios, pais...


Muitas pessoas arriscaram as suas vidas, arriscaram tudo para sermos livres! E nós, aproveitamos essa liberdade?

Quantas vezes se ouve barbaridades do género : "Votar? Eu? Os políticos nunca cumprem as promessas! Não gosto de nenhum, não voto! Além disso dá muito trabalho..."

Gente, têm noção da quantidade de pessoas que poderiam ter sido presas, espancadas, mortas por terem feito a revolução, se algo não tivesse acontecido como planeado? Têm?

E depois, é ilegítimo, para quem não vota, criticar seja o que for do governo, porque se não queriam que ganhasse este, não fizeram nada para que o outro fosse eleito.

Saberiam a falta que vos fazia votar se voltássemos à ditadura... Ainda há quem diga "No tempo do Salazar é que era bom!" Sem dúvida, quando a população morria à fome, quando quanto mais ignorantes as pessoas fossem melhor, quando jovens deixavam famílias para ir para uma guerra contra a independência do que nunca deveria de ter sido nosso, quando se ia preso por escrever canções sobre liberdade, quando tudo era feito para que não se desenvolvesse o país... por alguma razão estamos quase sempre na famosa "cauda da Europa".

Nós estudamos, nós sabemos, não deixem que a ignorância nos tome e que permita que sejamos iludidos. O melhor aliado de um regime ditatorial é a ignorância.


Se, actualmente somos ou não livres, é uma questão muito subjectiva. No entanto, só nos compete a nós chegar aos objectivos pretendidos: mudar o que está mal e manter o que está bem.

Não se esqueçam que podemos ser muito livres, mas nunca o seremos de verdade se a nossa mente continuar acorrentada a preconceitos, a ideias feitas, a diz-que-disse's.


(TEXTO CENSURADO) se fosse há 37 anos atrás, por exemplo, a esta hora já a minha avô me teria ido visitar à cadeia, levando uns pensinhos para as pequeninas fridinhas que teria, por ter escrito este texto.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Amarelos Efeitos da Imagem na Sociedade Seca


Ainda bem que não sou daquelas adolescentes que pensam que o mundo gira em seu redor, que ligam mais ao que vestem do que ás pessoas que as rodeiam e que têm uma auto-estima tão alta que se julgam donas de tudo por onde andam.

Ainda bem que não sou daquelas jovens deprimidas que encaram tudo como um novo drama, e que vêm as coisas sempre de uma forma tão feia, como se os outros as tivessem sempre a prejudicar e, se submetem ainda que não seja sobre elas exercido qualquer tipo de soberania, às acima referidas.

O post, há uns dias, era para se reduzir a isto que, por certo, já tem um grande significado (nem que seja para me auto-convencer de certas coisas e me valorizar), mas hoje decidi completá-lo.

Acho que tudo isto se baseia na imagem. Na imagem que cada um tem de si, na imagem que os outros têm de cada um e, na imagem que cada um acha que os outros têm dele. Para mim, a última é mais poderosa, a mais estúpida e a mais preocupante, sendo infelizmente, a que move mais gente.
Claro que eu não tenho muita moral, por um lado ás vezes acho-me menos que alguém só porque me intimida com a sua imagem e, temo pela imagem que passe. Por outro lado, sei que ás vezes posso intimidar outros que não sintam uma imagem de si tão boa.
Também julgo, é verdade. Também sou julgada, claro que sim e, custa-me bastante,porque ainda não aprendi a lidar com estas coisas, mas isso sou eu que vá, não tenho mais nada em que pensar do que naquilo que os outros pensam...
O que me leva a discutir isto hoje, foi um caso que estive a equacionar. Uma rapariga com má imagem. Deve sentir-se duplamente mal, primeiro porque deve ser alvo de maus juízos e, isto sim é ilegítimo, porque ninguém está mais acima de outrém na inexistente hierarquia social, para que lhe seja permitido julgar de forma humilhante, gozando por exemplo, exercendo o seu poder adquirido pela parvoíce aguda... and so one. E, depois, porque não tem aquele espírito de poder proveniente do brio em cuidar da imagem, daquela pequena vaidade saudável que nos faz recorrer ao "look great", em que nos olhamos ao espelho e pensamos "Caramba, tu afinal és bonita, nem sei como tanta gente não repara" (e lá está o estúpido pensamento nos outros tão presente no meu subconsciente que até aqui aparece).
O facto é que podemos arranjarmo-nos apenas para nos sentir-mos bem, tenho uma amiga que diz, com muita razão, que quando fazemos a depilação coloca-mos o ego muito mais em cima. No fundo, é uma maneira, vá, simples, concreta e meio idiota de traduzir a ideia, mas não deixa de a traduzir.

Mas para verem como esta coisa da imagem influencia tanto a vida das pessoas, temos os exemplos dos empregos. Quanta gente não é aceite em lojas por não ser assim ou assado. Óbviamente, não condeno os empresários, porque se estamos a promover um ginásio não podemos ter uma senhora mais cheinha a distribuir papéis, não chama, tal como não chama uma pessoa com problemas de pele, numa loja de cremes.

Sensuro é toda esta máfia mental que movimenta a sociedade e que sempre existiu e, que nunca vai deixar de existir.

No fim de contas, tu és a exótica e eu a nordica (não se sintam mal perante a incompreensão deta frase, é muito metafórica e tem por trás toda uma situação).

sábado, 11 de abril de 2009

Fuga lilás, sem rosa a atenuar


Nunca esperei. E, mesmo depois de tudo, continuei a não esperar. Parecia-me tão claro e evidente... Eras tu, como seria possível?
Mudaste, mudaste como eu não imaginara. Talvez bruscamente: Ouvi dizer que sim.
Desilusão... Mas há qualquer coisa nesta palavra de que não gosto: faz-me ter saudades, mais do que as que já tinha. Agora tenho mais. Mais de quem eras de verdade.
A culpa não foi minha. Foi toda tua. Foste tu, a culpa é tua.
Mas e se também tiver sido minha? Não, não foi. Poder-te-ia ter puxado... mas tu nem deste hipótese.
Foste tu. Fugiste. Nem sequer encaraste o que tinhas para encarar. E nem uma explicação ouvi de ti. Tudo por outros... e sem explicação.
E afastaste-te, e afastaste-te dos teus princípios, e afastaste-te do que eu sabia que eras, e afastaste-te de quem te queria bem e não o sabias.
Mas podias ter ficado. Podias ter ficado o mesmo, sem mudança alguma... com esse teu bom coração e essa parvoeira natural. Mas não quiseste e toda aquela redoma se estalou.
Tudo o que eras para mim sofreu estragos. Continuo a acreditar em ti, sim. Mas desiludiste-me.
Espero por quem tu eras autrora... Eras tu, a minha missão.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A Antítese das Cores: O Preto e o Branco


Estava eu no carro dos papás a ouvir a habitual rádio (renascensa), eis se não, quando começo a ouvir uma música e digo, para mim mesma: "Não acredito, esta música é tão hororosa, para eu começar o dia, mas pronto, vou ter que a ouvir!" E, a seguir, pus uma cara enfadonha.

Mas depois lembrei-me: "Já que a vou ter que ouvir, e que a música é em Português, porque não ouvir a letra e perceber?"

E assim foi.

E descobri um poema lindíssimo.

"Se ela pressentisse
O olhar que me devolve
As ânsias sem idade
Os olhares ao espelho sem piedade
A verdade foge trémula e sem serenidade


Se ele sentisse
Só por uma vez
Que paro quando fala
Que rio quando olha
E coro quando é para mim
E quero que me agarre


Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero


Ela vai rir-se quando lhe contar
Que um dia quis dar-lhe o mundo
Mas não a soube chamar
O seu cheiro passa solto
E leve como o ar


Ele vai ter um sonho por guardar
O tempo não tem escolha
E a alma passou longe
Adeus! Será que é Adeus?
Eu não te perco mais


Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero


Se ela pressentisse
O olhar que me devolve
As ânsias sem idade
Os olhares ao espelho sem piedade
A verdade foge trémula e sem serenidade


Se ele sentisse
Só por uma vez
Que paro quando fala
Que rio quando olha
E coro quando é p'ra mim
E quero que me agarre


Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero


Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero"


É mesmo isto.


Já agora, a título informativo, fui eu pesquisar a letra e a música chama-se Desencontro e é de Luís Represas.